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Artigos e Opinião • 11 de outubro de 2017 • 08h28

Cadastro não Autorizado

Ninguém escapa dele. Todo os dados são computados, estocados e colocados à disposição de quem quiser fazer negócios. Vai da prestação de serviços á vendas dos mais variados produtos. Uma simples busca em um site de vendas via internet se torna uma informação importante para ele. Não quer saber se o responsável elo e – mail cadastrado quer ou não comprar. O Big Data não perdoa. Um consulta sobre venenos para acabar com uma infestação de ratos, ou uma passagem aérea para Talin, na Estônia, ou Colombo no Sri Lanka, valem dinheiro. O internauta não consegue mais se livrar de ofertas ainda que tenha liquidado com a rataiada e tenha desistido de conhecer a agradável capital estoniana. O Big Data estoca os  desejos  e tenta, pela insistência, que pode provocar uma rejeição, convencer o internauta que ele deve continuar a guerra contra os roedores e viajar pelo preço mais convidativo. A política geral dos sites é pedir o cadastro, ainda que jurem por todos os bits e bytes  a não divulgar. Não divulgam mas usam em causa própria. Alguns malandros escondem o link para descadastramento no final da publicidade, em letras miúdas associadas ao link da liberação. Ainda assim ao clicar o internauta-alvo é jogado em uma página de publicidade da empresa que envia as propostas comerciais. Uma boa parte dela independe de ter o cadastro autorizado, enviam e enchem as caixas com toda espécie de produtos e serviços. O Big Data também pode estar a serviço dos desonestos.

 

Os computadores e seus assemelhados, tablets, smart phones e outros gadgets se tornaram a porta de entrada para novos negócios onde reina absoluto o Big Data. Ao entrar em um site de notícias lá estão os anúncios dos produtos que já procuramos, ou compramos no passado. O raticida e a passagem de  avião. As tecnologias atuais se comunicam entre si através da internet das coisas e assim sabem onde cada um está, se tem fome, se precisa de combustível para o carro e pergunta qual a avaliação que faz do produto ou serviço que comprou. Ao deixar o  posto de combustível, e pagar com o cartão de crédito, nova informação vai ser armazenada. Calcula-se quantos quilômetro o carro rodou e é capaz de avaliar quando o tanque está vazio para oferecer o posto mais próximo, que obviamente paga por isso.  Todo movimento na rede é bem-vindo uma vez que ou cria ou acrescenta novas informações na base de dados. Já há uma disputa acirrada sobre quem vai se apropriar dessas informações: o  site de buscas, o cartão de crédito, ou um carro que tenha computador a bordo ?

 

Aparentemente os mais atingidos pela inteligência artificial são os trabalhadores da indústria em geral. Afinal nesta fase da quarta etapa da revolução industrial a característica principal é a  máquina que controla e programa máquina. Os empregos estão seriamente ameaçados. Contudo graças ao Big Data, advogados, médicos e engenheiros correm o mesmo risco. Com o volume de dados acumulados uma parte do serviço prestado por esses profissionais pode ser respondido pela inteligência artificial, e segundo alguns, com eficiência  maior. Uma pesquisa no arquivo do Supremo Tribunal Federal com análise de casos semelhantes, a leitura de exames médicos  computadorizados ou a modificação de uma máquina a partir de dados que circulam de cima para baixo e vice versa. Não se sabe se outras atividades seriam criadas para compensar o enfraquecimento ou desaparecimento de milhares de empregos . Será um consolo saber que  os encanadores, enquanto tal, não são ameaçados pelo Big Data ? Os mais otimistas afirmam que essa nova configuração da economia associada a tecnologia digital criaria milhares de novas oportunidades na área de serviços. Nesses primeiros passos do advento do Big Data e a fase inicial da quarta etapa da revolução industrial tudo parece ir bem, como alguém que pula do vigésimo andar de um prédio e ao passar pelo décimo terceiro diz que até ali está tudo bem. Enquanto isso somos convidados a ver um determinado filme, ir a um determinado restaurante, comprar um determinado tênis, para uma viagem a Talin onde não há ratos a serem combatidos.

 

Heródoto Barbeiro, âncora do Jornal da Record News, palestrante e escritor.

 

 



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