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Brasil está retomando o crescimento e Paraná segue a mesma tendência
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Economia • 04 de dezembro de 2017 • 15h05

Brasil está retomando o crescimento e Paraná segue a mesma tendência

Economistas que participaram do 9º debate anual promovido pelo CORECONPR apontam as mudanças que estão ocorrendo em diversos setores da economia e os ajustes que ainda precisam ser feitos para um crescimento mais expressivo. A perspectiva é que a economia nacional cresça 2,5% em 2018.

 

Apesar de desafiante o cenário econômico brasileiro tende a ser mais positivo em 2018 do que em 2017. Várias são as mudanças que começam a ocorrer, especialmente nos setores da Indústria, Agronegócio e Comércio, a fim de que haja uma retomada mais significativa no crescimento da economia do país e do Paraná. Essa é a análise feita por economistas que participaram do debate anual realizado pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (CORECONPR), na última quarta-feira (29), na sede do Conselho, em Curitiba. O evento, que está em sua 9ª edição traça um panorama de desempenho dos principais setores do mercado e aponta perspectivas e alternativas para melhorar a economia. A saudação de abertura foi realizada pelo vice-presidente da entidade, o economista Celso Bernardo.  

 

Segundo Fabio Dória Scatolin, economista e conselheiro do CORECONPR, o país está retomando o crescimento e o Paraná vai se beneficiar com isso. Porém, é preciso ter cuidado porque o preço internacional das commodities está caindo. “Houve uma queda de 20% nos últimos 24 meses, e isso vai significar que um pouco do crescimento não se dará na velocidade desejada. Mas é um ano ainda muito positivo para a economia paranaense.”

Ele também ressaltou que o problema da Previdência é a principal fonte de desequilíbrio do Estado e que o investimento, especialmente em infraestrutura é a chave para o crescimento sustentável nos próximos anos.

 

Latrogenia

 

Durante sua apresentação Scatolin mostrou que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) colocam o Brasil saindo da recessão, no entanto a recuperação vem de maneira atrasada. “Afundamos muito mais que os demais países [ em desenvolvimento ] nesses anos e a nossa performance será ruim nos próximos quatro, muito em função da chamada Iatrogenia, quando você combate uma doença e causa outra. Porém, o Paraná cresce mais de acordo com a economia mundial do que a brasileira, o que é muito positivo.”

 

Crescimento 

 

Dados apresentados pelo economista mostram que o país deve crescer 0,7% em 2017 e na média dos analistas menos conservadores pode chegar a 2,5% em 2018. Para o Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) e o FMI a média de crescimento do Brasil para o próximo ano é de 1,5%. Nos países avançados esse índice é de 2,2% para 2017 e 2% em 2018. China e Índia disparam com média de crescimento de 6%.

Scatolin lembrou que o país apresenta déficit nominal de -9% do Produto Interno Bruto, o que deve ser resolvido somente entre os anos de 2019 e 2020.

 

Empregos

 

No que se refere à questão dos empregos ainda há muito esforço para se fazer. Para Fabio Scatolin, as finanças públicas do Estado não estão colocadas adequadamente e se faz necessária maior sustentabilidade de ajuste fiscal, além de repensar a estrutura produtiva para os próximos anos, principalmente de empregos para os jovens. “Nesse sentido a construção civil pode ser importante. Mas é preciso qualificar melhor a nossa força de trabalho.”

 

De acordo com ele, os aplicativos de transporte, como Uber, por exemplo, estão ajudando a economia neste momento. São mais de 5 mil empregos somente em Curitiba e Região Metropolitana. “Não é algo definitivo, para muitos é só uma transição em um momento de desemprego, mas, minimiza a situação. Além disso, a flexibilidade do mercado de trabalho que virá com a reforma trabalhista também vai ajudar nesse momento de dificuldade de geração de emprego. Mas é necessário política de investimento consistente.”

 

Sandro Silva, economista do DIEESE, observou que o Brasil teve saldo positivo de empregos entre janeiro e outubro de 2017, se comparado ao mesmo período do ano passado. Foram criados 302,1 mil postos de trabalho, enquanto em 2016 houve queda de 741,5 mil. O Paraná seguiu a mesma tendência com a criação de 34,8 mil postos de trabalhos formais. No mesmo período de 2016 o Estado teve queda de 21,4 mil.

 

O problema, segundo ele, é que se comparado à história recente esse saldo é muito baixo. “É pior do que 2009 e 2003. A recuperação do mercado de trabalho é muito lenta. E isso ocorre também no Paraná”, ressaltou. “Outra questão importante a ser observada é que esse saldo positivo não se deve à geração de mais empregos e sim à redução de demissões nos últimos anos.”

 

Sandro destacou que houve uma melhora no número de ocupados, mas esclareceu que ela se deve ao aumento de empregos informais e por conta própria. As negociações coletivas também não tiveram melhora significativa. Ele acrescentou que dificilmente ocorrerá recuperação expressiva no mercado de trabalho em curto e médio prazo e considerou que a Reforma Trabalhista tem impacto negativo para o setor.

 

A Administração Pública é o setor que mais emprega.

 

Agricultura

Pedro Loyola, economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), ressaltou que apesar do Estado ser o 2º maior produtor de grãos do país, essa posição deve cair, uma vez que há pouco espaço para o crescimento da área plantada de grãos. A alternativa será investir ainda mais na produção de proteínas (carne). Atualmente o Paraná é o maior produtor nacional de carne.  

 

Ele ressaltou que a soja continua sendo o carro-chefe da economia no Estado, seguida pelo frango de corte. Lembrou que a Produção de Milho e Feijão tiveram prejuízo em 2017. “A Soja pagou a conta do sistema de produção do Milho, do Feijão e do Trigo”. A perspectiva é de redução do plantio de milho em 2018, que teve dificuldades de venda neste ano.

 

Loyola também disse que a Pecuária teve um ano atípico no Paraná devido à operação Carne Fraca, que afetou fortemente o setor, principalmente o preço do frango. Destacou que o Estado precisa ter mais segurança sanitária, é líder na contratação de crédito rural oficial e que são necessárias mudanças para buscar novos tipos de financiamentos. Por outro lado, ele lembrou que o Paraná se destaca como 1º produtor nacional de Tilápia.

 

Comércio

 

Vamberto Santana, economista da Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio), destacou que a inadimplência no setor vem caindo porque está havendo aumento na renda do consumidor. Segundo ele, as áreas com perspectiva de maior crescimento em 2018 são as seguintes: Concessionárias de Veículos, Farmácias e Drogarias, Lojas de Departamentos, Atacarejos, Pequenos comércios de bairros (como armazéns e mercearias, devido às mudanças de hábitos do consumidor), Supermercados, Combustíveis e Lubrificantes.

 

Ele ressaltou que as novas datas de vendas ou comemorativas, como Black-Friday, São Valentim (comemoração similar a do Dia dos Namorados, em 14 de fevereiro) e Halloween estão cooperando para o aquecimento das vendas no comércio. Outros padrões adotados recentemente no varejo brasileiro também colaboram. Entre eles estão o comércio eletrônico, free shops (duty frees), food trucks, outlet centers e franquias.

 

Indústria

 

Daniel Nojima, economista do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), lembrou que o país chegou ao fundo do poço em 2016 para só então começar uma recuperação e que a Agroindústria forte ajudou o Paraná a sair um pouco antes da crise do que os outros estados. Apesar de considerar que houve um período de desindustrialização do país nos últimos anos, destacou que no Paraná o setor mostra dois vetores de recuperação: máquinas e equipamentos, e automóveis. “Eles puxam muito para cima o nosso crescimento.”

 

Outra variável que tem sido importante é o crescimento da exportação. De janeiro a outubro de 2017 as exportações na área Agroalimentar subiram de R$ 7,4 bi para R$ 8,8 bi, no setor Metal-Mecânico esse crescimento foi de R$ 1,4 bi para R$ 2,06 bi e no setor de Madeira-Papel as exportações subiram de R$1,3 bi para 1,6 bi, em igual período de 2016. “É o setor industrial se virando nos 30, digamos assim; não está dando aqui dentro, vamos para fora. Outra área que já reage é a de Combustíveis.”

 

Roberto Zurcher, economista da Federação das Indústria do Paraná (Fiep) enfatizou que nos últimos anos houve uma desindustrialização, e que ela perdeu força, caindo para os índices vividos nos anos 50, com relação à sua participação no PIB nacional. Acrescentou que o Brasil não tem poupado, e com isso o PIB vem caindo acentuadamente nos últimos 4 anos, chegando a um acumulado de 7%.  “E não é porque o mundo não está crescendo, isso é falso. Enquanto o mundo cresce o país decresce. No comércio regredimos 5 anos e na Indústria 13. Faltam investimentos, reduzimos até a exportação de manufaturados.”

 

Ele lembrou que entre 2003 e 2006 a receita do Estado do Paraná aumentou 30% em relação ao PIB e que entre os anos de 2011 e 2014 passou para 400%. Mas ressaltou que a indústria paranaense é forte e apesar de tudo cresce acima da média nacional. Nos últimos 13 anos cresceu 30% enquanto o Brasil cresceu apenas 5%.

Contudo, “o setor recuou 10 anos em perda e para chegar onde estávamos leva anos”. Para o economista os setores com melhores desempenhos são o de Celulose e Papel e Veículos Automotores, que estão recebendo investimentos bilionários. “Certamente a Indústria vai ter resultados positivos em 2018, mas, longe de 2013. E vem comprando mais máquinas e equipamentos para substituir pessoas”, o que para ele pode gerar resultados positivos, como já ocorre na Suíça.  

Ines Dumas/Asimp



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