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Cultura • 04 de dezembro de 2018 • 08h47

Casa da Dona Alice e Etnyah fazem show no Banda Nova

Último show de 2018 do projeto mostra, a força do rock independente londrinense

 

O rock independente surpreende sempre. Não só pela resistência, que faz surgir novidades para aumentar o glossário de bandas com identidade própria, como Casa da Dona Alice, mas também pelo matiz de ritmos do Etnyah. Os dois grupos fazem o último show do ano da 6ª edição do Projeto Banda Nova quinta-feira (6), às 19 horas, no Centro Cultural Sesi/AML.

 

Casa da Dona Alice tem influências de rock psicodélico, folk rock e vem na pegada de bandas brasileiras como Scalene, Supercombo, Boogarins e O Termo.   

A banda existe há nove anos, com algumas variações na formação, que hoje conta com   Lucas Freitas (voz/guitarra), Felipe Furazo (bateria), William Lopes (guitarra) e André Melo (baixo).

 

Em 2017, o grupo deixou o repertório de covers para apostar nas composições próprias. Em 2018, lançou o EP de autorais “Itinerário” com a música homônima e mais “Paraquedas” e “Algo a Dividir”.

 

Dois meses de trabalho de estúdio para que a banda conseguisse um resultado caprichado com texturas diferentes e cara de artesanal. A produção musical é de Marco Aurélio Chiara Silva.

 

“De umas 10 composições nossas, escolhemos essas três para o EP. São canções que falam sobre convivência, sentimentos e coisas que todo mundo passa. ‘Paraquedas’ fala de alguém que um dia perde o chão, algo que todos se identificam e acontece com todo mundo”, conta Lucas Freitas, que além do vocal, compõe as músicas da banda.

 

O grupo acaba de lançar em formato de live session, no Youtube,  a música  “Dança do Sol”. Gravada em uma casa antiga, a locação do clipe faz referência ao próprio nome da banda, que começou a tocar na casa da avó de um amigo “a Dona Alice”. A produção é do Tapete Voador.

 

Para o Sesi, a moçada está preparando as músicas do primeiro disco e do novo EP que deve gravar em fevereiro. Também vai tocar algumas releituras, como Vanessa da Mata e Marcelo Jeneci, que gosta de fazer nos shows.

 

Etnyah

 

Mais robusto com elementos de percussão e metais, o Etnyah fecha a noite com um som influenciado no grunge, manguebeat, entre outros ritmos, numa mescla contemporânea com a pegada de cada um dos integrantes, Rodrigo Bays (baixo), Jean Pera (baterista), Luis Paiva (guitarrista), Mau Werner (vocal/percussão) e Giovani Vieceli (vocal/teclados).

 

A banda surgiu no final dos anos 1990. Em 2001, gravou o primeiro CD “O Tempo Surge” com cinco faixas autorais. Deu uma parada de cinco anos e voltou a fazer shows em 2012.

 

O segundo disco “O Homem do Outro Lado do Espelho” veio com a formação atual, em 2016. São dez faixas com influências dos anos de 1990, mas com roupagem nova nas mudanças de ritmos e percussão.

 

“Cada um tem a sua pegada e isso vira o Etnyah. As letras têm poesia, a batera e a percussão fazem uma fusão bem legal. Estamos também com músicas novas. No Sesi levaremos um pouco disso, composições com influências de forró, baião e rock”, destaca Jean Pera.

 

O baixista Rodrigo Bays acrescenta que com essa mistura a banda consegue um som bem particular.

 

“Fazemos um som que pega músicas regionais e joga um rock em cima, um teclado ou sintetizador para dar uma mudada”, afirma Bays.

 

Fazer música independente e, há tanto tempo, como o Etnyah, é se tornar protagonistas em meio a tanta imposição do mercado musical, ressalta o tecladista Giovani Vieceli.

 

“O grande barato é que a gente não só consome cultura, mas produz. Hoje, com as novas tecnologias é possível a pessoa gravar, pintar, fazer desenho no computador. Sair do papel de um simples consumidor de cultura dos grandes veículos de massa e falar: ‘Não, eu também posso me expressar por meio da música das artes’. Para mim, pessoalmente, a arte é esse lugar mais sagrado”, conclui Vieceli.

 

Banda Nova  

 

Ao completar 10 anos e em sua 6ª edição, o Banda Nova já faz parte da programação musical da cidade, sendo um projeto importante para músicos londrinenses e da região mostrarem seu trabalho. Também contribui para a formação de público com apresentações gratuitas.

 

Nesta edição, foram  selecionadas 12 bandas: Surface e Diogo Morgado Quartet, que estrearam a temporada em setembro; Aruandê e Wood Surfers, que se apresentaram em novembro;  Búfalos D’Água e De Um Filho, de Um Cego, programados para 16 de fevereiro; Sincopaduo e Mour, dia 16 de março,  e   Aminoácidos e Octopus Trio, que encerram a temporada  26 de abril de 2019.

 

Entre os critérios de seleção, o projeto prevê que as bandas não tenham visibilidade no mercado e que façam um som autoral ou original. No caso de reinterpretação de obras musicais, a exigência é criatividade e qualidade de execução.  Uma comissão formada pela equipe de produção selecionou os participantes desta edição.

 

As apresentações acontecem, mensalmente, no Centro Cultural Sesi/AML, sendo duas bandas por noite. Os shows são gravados e postados no canal do Banda Nova no Youtube.

 

As primeiras edições do Banda Nova aconteceram no Bar Valentino, na Concha Acústica, circulando ainda por outros espaços.

 

Já passaram pelo projeto mais de 150 bandas e cerca de 600 músicos. O Banda Nova faz parte da história de músicos, alguns com destaque nacional, como Cluster Sisters, Vitor Conor, Maracutaia do Samba, The Brotherhoods, Marujo Cartel, Bemol Blues Band, Samba 172, Castores e Patos, MC Sergin, Marquinhos Diet, Lobisomem, Mucambo de Banto, entre outros.

 

Realização:  Funcart em parceria com o Centro Cultural Sesi/AML. Patrocínio: Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Apoio Rádio UEL FM e Canal Bom Negócios.



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