O aumento da movimentação do agronegócio no Norte do Paraná tem elevado a procura pelo transporte rodoviário de cargas e pressionado os valores do frete agrícola. Na região de Londrina, um dos principais polos agroindustriais do Estado, transportadoras enfrentam o desafio de atender ao crescimento da demanda em meio a limitações operacionais que vão além dos períodos de safra.
A alta nos preços do transporte não está relacionada apenas à maior disputa por caminhões. Segundo representantes do setor, diversos fatores influenciam a composição do frete, como o preço do diesel, pedágios, manutenção dos veículos, seguros, impostos, contratação de mão de obra e custos de gerenciamento de risco.
Além dessas despesas, a redução da produtividade operacional também pesa no cálculo final. O tempo gasto em filas, carregamentos demorados e espera para descarregamento diminui a quantidade de viagens realizadas pelos caminhões e aumenta o custo de cada deslocamento.
Para o diretor regional da unidade de Londrina do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), André Ribeiro, o cenário atual revela um descompasso entre a demanda crescente e a capacidade disponível para atender ao setor.
“A alta do frete demonstra que a demanda por transporte cresceu em ritmo superior à capacidade operacional disponível. O Norte do Paraná é um importante polo agroindustrial, porém enfrenta limitações na oferta de caminhões, escassez de motoristas qualificados e pressão sobre corredores logísticos que ligam a região aos portos e centros consumidores”, afirmou.
Com o avanço da produção agrícola, principalmente nos períodos de maior escoamento de grãos, as empresas precisam reorganizar rotas, ampliar o controle da frota e ajustar equipes para cumprir prazos mais curtos e atender ao volume de cargas.
O setor também aponta que problemas estruturais contribuem para o aumento dos custos. Rodovias com necessidade de melhorias, limitações de capacidade, congestionamentos e dificuldades de acesso a terminais e centros de distribuição reduzem a eficiência da logística regional.
“Os gargalos logísticos já existiam. Rodovias que necessitam de melhorias, limitações de capacidade, filas em terminais, demora para carga e descarga e a escassez de motoristas reduzem a eficiência da operação”, explicou Ribeiro.
Segundo a entidade, o reajuste dos valores do frete nem sempre representa aumento de lucro para as transportadoras. Em muitos casos, o aumento serve para compensar custos maiores da operação e manter a atividade funcionando dentro de padrões de segurança.
“Muitas vezes, o reajuste do frete não representa aumento da margem de lucro, mas apenas a recomposição dos custos necessários para manter a operação funcionando com segurança e eficiência”, destacou o diretor.
O cenário reforça o desafio de ampliar a eficiência logística do Norte do Paraná para acompanhar o crescimento do agronegócio. Investimentos em infraestrutura, melhoria dos corredores de transporte e aumento da capacidade operacional são apontados como medidas necessárias para reduzir custos e fortalecer a competitividade da produção regional.
Com informações da SETCEPAR Londrina.