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Professor de Agronomia da Unopar apresenta o que deve acontecer no setor nos próximos anos.

A agricultura e o setor de alimentos do Brasil são reconhecidos como os mais bem sucedidos do planeta. E não é à toa: além das contribuições históricas do setor para a população brasileira, o agronegócio se mostrou resiliente durante a pandemia da Covid-19, e desempenhou papel importante garantindo alimento à população. Considerado serviço essencial durante o período de restrições de atividades, o agronegócio foi o setor da economia menos afetado pela pandemia e é ele que detém o poder de diminuir os efeitos da crise. Mas apesar de ter respondido bem aos desafios do último ano, o segmento não deverá sair ileso das mudanças que o futuro reserva no pós-pandemia e pode passar por algumas mudanças.

Quem elenca as principais tendências futuras do setor é o coordenador do curso de Agronomia da Unopar, Wesley Machado:

Destaque internacional

O potencial produtivo do campo brasileiro é alto e o país pode aproveitar o momento para crescer. Países que não têm a agricultura tão fortalecida como o nosso podem levar mais tempo para se recuperar dos impactos da crise atual e o agronegócio brasileiro, que não foi tão afetado, deverá ser mais visado para atender demandas nacionais e internacionais nos próximos anos.

Crescimento acelerado

O setor deve sofrer um crescimento acelerado ainda em 2021 e o destaque internacional é um dos motivos para isso acontecer. Novos modelos de negócio também devem surgir nos próximos anos, principalmente relacionados à sustentabilidade e à saúde da população e do planeta. Essas preocupações foram impulsionadas pela pandemia e pelas mudanças climáticas que são discutidas há algum tempo na mídia.

Tecnologia

A tecnologia está presente em vários setores da economia e a pandemia só fortaleceu o mundo digital. No campo não será diferente. Ela exercerá papel fundamental na recuperação econômica dos produtores rurais brasileiros e será um diferencial nos processos agrícolas - uma tendência que já era registrada antes do coronavírus.

Além do progresso já esperado de ferramentas digitais, a tecnologia será aliada na recuperação rápida do setor, principalmente por oferecer técnicas que reduzem custos e aumentam a produtividade. A tecnologia também pode ser útil na hora de prever novas crises e problemas que afetam a produção.

Novos hábitos

Ferramentas tecnológicas vão ajudar o agronegócio a mudar a lógica da produção e a se adaptar aos novos hábitos de alimentação da população. A compra e venda de alimentos online e o aumento no uso do serviço de delivery também devem impactar a produção no campo e os produtores rurais precisam investir em tecnologias que proporcionem a produção para essas áreas caso queiram acompanhar as tendências.

AgTechs

As startups do agro, ou as AgTechs, devem aumentar ainda mais depois da pandemia. Os números já impressionavam antes: o primeiro censo relacionado ao segmento, de 2016, mostrou que o Brasil tinha 76 empresas do tipo. Em 2019, o número já era de 1.125. O mercado percebeu esse aumento e oferece, cada vez mais, créditos e facilidades para a criação de startups que promovem a modernização e o crescimento do setor - realidade que deverá ser intensificada em 2021.

"A região de Londrina é um dos principais polos de tecnologia para o agronegócio brasileiro, ao lado de Cuiabá (MT) e Piracicaba (SP). Certamente seremos uma das cidades que mais sentirão as mudanças causadas pela pandemia no campo, que está otimista com as novidades", finaliza o professor.

Mariana Paschoal/Asimp

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