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Enquanto a capacidade instalada nas fazendas em países como Argentina, Canadá e Estados Unidos atinge patamares de 40%, 85% e 65% respectivamente, no Brasil este índice permanece próximo a 14% ao longo de 10 anos, como revela o Boletim Logístico publicado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Conforme o estudo, a maioria dos grãos, cerca de 60% estão depositados em armazéns localizados no meio rural.

“Apesar dos desafios existentes, o Brasil ainda não se encontra em uma condição que se configura como gargalo. Há sim um descolamento entre produção e capacidade estática disponível, mas não de forma generalizada no país, e a situação é mais grave especialmente em algumas regiões produtoras e em determinados períodos do ano. No entanto, esse cenário pode mudar nos próximos cinco anos”, analisa o superintendente de Logística Operacional da Conab, Thomé Guth.

A guarda e conservação da safra colhida são fatores vitais para o país se manter como importante fornecedor de alimentos para o mundo. No momento que o Brasil passa a se destacar no mercado internacional e cresce a demanda interna para o consumo de milho, como por exemplo, a armazenagem nacional passa a ser determinante nas etapas da produção e logística para escoamento de safras cada vez maiores. Nesse sentido, há uma preocupação com a capacidade estática disponível versus a produção de grãos.

 “O diferencial brasileiro é que, diferentemente de países como os EUA, não precisamos ter armazenagem estática para 100% da produção porque temos várias safras por ano. O importante é que haja na região uma capacidade estática que suporte o fluxo de produtos até o final da comercialização”, ressalta Guth.

Oportunidade para o produtor

Segundo o Boletim divulgado pela Companhia, o Serviço Nacional de Aprendizado Rural (Senar) indica que o armazenamento dos grãos em silo próprio, realizando a comercialização na entressafra, pode refletir em ganhos de até 55% para os produtores. De acordo com o consultor de Política Agrícola da Aprosoja, Thiago Rocha, a armazenagem de fazenda é preciso quebrar paradigmas dos agricultores para a implantação de um sistema de armazenamento da propriedade rural. “É um investimento com um montante significativo, que precisa de um certo planejamento; mas que é possível de ser pago em 6 anos. No entanto, há, também, algumas questões que são qualitativas. Se você investigar com um produtor rural o que mudou na vida dele, ele vai dizer que a qualidade de vida é outra. Então, agora o trabalho com o produtor é de mostrar esses resultados para que ele consiga enxergar o retorno projetado para a atividade”, disse Rocha em podcast gravado pela Companhia.

Uma possibilidade para os produtores como uma das soluções intermediárias oferecidas para armazenamento não convencionais pelo mercado são os chamados silos bags. A professora da Universidade Federal de Mato Grosso, Solenir Ruffato, reforça que este sistema de armazenamento é uma estratégia que deve ser encarada como uma alternativa, e não apenas como emergência. “Os argentinos também têm uma prática bem interessante nesse sentido. Dessa armazenagem na fazenda, 50% são em silo bolsa”.

Asimp/Conab

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