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Em conferência durante assembleia geral da ONU, representantes do governo e da BSCA creem ser necessárias medidas que gerem renda digna aos produtores

Ajudar a sensibilizar a indústria para que haja uma melhor distribuição de renda na cadeia mundial de valor do café, gerando receita digna aos produtores. Esse foi o consenso dos países cafeeiros na conferência “Actions for a Sustainable Coffee Future”, realizada hoje, em Nova York (EUA), durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

No evento, o Brasil marcou presença com o representante do Ministério das Relações Exteriores, conselheiro Felipe Augusto Ramos de Alencar da Costa, lotado na Missão junto às Nações Unidas em Nova York, e a diretora da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Vanusia Nogueira.

Os representantes dos países produtores, em discurso encampado pelo presidente da Colômbia, Iván Duque, evidenciaram que a cafeicultura é fonte de renda para 25 milhões de famílias, que estão em estado preocupante, pois os preços pagos pelo produto final na xícara e o recebido pelos produtores são bem diferentes, com os cafeicultores ficando com apenas 10% do valor total. O líder colombiano pediu para que sejam valorizados itens como qualidade, Denominação de Origem e cafés sombreados.

A Etiópia apresentou preocupações com as famílias cafeeiras, os baixos preços, volatilidade do mercado e mudanças climáticas e orientou que o desafio e a meta da cadeia de valor sejam a sustentabilidade em seus pilares social, ambiental e econômico. O diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável do Instituto da Terra da Universidade de Columbia, professor Jeffrey Sachs, referenciou Brasil e Vietnã como modelos a serem seguidos, especialmente o brasileiro. Ele chamou a responsabilidade à indústria para fomentar a renda dos cafeicultores, permitindo que os pequenos produtores possam melhorar sua performance através de investimento em tecnologia.

Representantes dos governos da América Latina presentes ao encontro destacaram que é preciso valorizar a diversidade e os produtos únicos, além de trabalhar o processo de industrialização de propriedades. Sugeriram trabalho conjunto para construir uma proposta útil para regular o mercado, realçaram que a cafeicultura é formada, majoritariamente, por pequenos produtores e, conforme colocação do presidente de Honduras, Juan Orlando Hernandez, sugeriram que seja analisada a possibilidade de uso do *Fundo Verde para o Clima (GCF, em inglês), que tem US$ 10 bilhões, para apoio ao setor.

Pela Ásia, o vice-presidente da Indonésia, Jusuf Kalla, expôs que é necessário expandir mercado, encontrar formas para controlar os estoques nos países produtores, por em prática estudos feitos pela Organização Internacional do Café (OIC), principalmente sobre café e saúde para estimular o consumo, e buscar maneiras para estabelecer preço mínimo a pequenos produtores.

Segundo a diretora da BSCA, Vanusia Nogueira, são válidas as colocações dos representantes dos países produtores e o Brasil deve apoiar iniciativas que sensibilizem o segmento industrial para uma melhor distribuição de renda na cadeia. “É muito importante nossa participação nesses debates in loco para que o Brasil contribua com as ações que sejam viáveis de implantação e desenvolvimento em prol da cafeicultura mundial”, conclui.

*O Green Climate Fund (GCF) é uma iniciativa global única para responder às mudanças do clima, investindo em desenvolvimento de baixo carbono e resiliência climática. Foi estabelecido por 194 países para limitar ou reduzir as emissões de gases de efeito estufa nas nações em desenvolvimento e para ajudar a adaptar as sociedades vulneráveis aos impactos das mudanças de temperatura.

Paulo André C. Kawasaki/Asimp

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