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No seu 2° Levantamento sobre a situação do Trigo no Brasil e no Mercosul a Consultoria Trigo & Farinhas projetou uma área plantada de 7,58 milhões de hectares na soma do Brasil (2,54 milhões de hectares), Argentina (4,1 MHa), Paraguai (625,15 mil ha) e Uruguai (320 mil ha). O total previsto para esta safra é 8,18% menor do que os 8,26 milhões de hectares plantados pelo Bloco na safra anterior.

Como, porém, a safra 2014/15 foi duramente atingida pelas condições climáticas adversas, o Mercosul produziu 20,97 milhões de toneladas naquele período. Com a redução de área prevista para a safra 2015/16 e contando com clima favorável – como está acontecendo até o momento – espera-se uma produção de 20,38 milhões de toneladas para a próxima temporada.

Este volume é 2,81% menor do que a safra anterior e deveria preocupar os integrantes do mercado não fosse por um detalhe político: na ânsia de baixar o custo de vida da Argentina e eleger o seu candidato nas próximas eleições de outubro, a presidente daquele país está retendo 3,2 milhões de toneladas de trigo que seria destinado à exportação com a finalidade de baixar os preços desta importante fonte de alimentação argentina. Este grande estoque de passagem compensará com grande folga o que o Bloco produzir a menos nesta safra.

Mas, ainda temos o fator clima, que é totalmente imprevisível. Com isto, poderemos ter três alternativas: safra cheia, safra média e safra quebrada.

Para Luiz Carlos Pacheco, analista sênior da Consultoria, se o Paraná, o Brasil e o Mercosul tiverem safra cheia de 20,38 milhões de toneladas, terá tido uma queda de -2,81% em relação ao ano anterior, mas terá um aumento de disponibilidade de mais 4,36 milhões de toneladas de estoque de passagem (3,2 MT da Argentina, 671 mil tons do Brasil, 656 mil tons do Paraguai e 148mil tons do Uruguai), que sobrarão da safra atual. Com isto, terá pleno abastecimento e características de preço próprias, não importando o que aconteça no resto do Mundo. Os preços deverão sofrer queda de aproximadamente 10,3% para perto ou até abaixo do Preço Mínimo no segundo semestre deste ano, por conta do excesso da colheita e voltar a subir para os patamares atuais (entre R$ 650/680 no PR – R$ 550-580 no RS) depois de janeiro e então continuar subindo à medida do consumo, segundo o analista. Será importante saber se o governo voltará a fazer leilões de Pepro para escoamento: se fizer, os preços sobem se não fizer, os preços permanecerão por mais tempo ao nível de Preço Mínimo, observa Luiz Carlos Pacheco.

Se o Mercosul tiver uma safra média – como a do ano passado, por exemplo – com quebras mais de qualidade do que de volume, devido ao El Niño do RS para baixo, mas com safra boa no PR e Paraguai – os preços inicialmente também deverão sofrer o excesso de oferta no segundo semestre, mas subir antes do final do ano para níveis um pouco mais altos (R$ 700-730,00 no PR – R$ 600-650 no RS) evoluindo depois de janeiro.

Se tivermos quebra de safra total, com danos no volume e/ou na qualidade do Paraná para baixo até a Argentina, os preços irão subir muito, porque haverá grande dependência dos trigos importados para a confecção de farinhas melhores. Os preços poderão chegar a R$ 850-900,00/tonelada no PR e o mesmo no RS. Mas, esta certeza só ocorrerá em janeiro, quando a Argentina terminar de colher.

Porém, é preciso reafirmar, segundo Pacheco, que a época de colheita não é época boa para o agricultor vender nenhum tipo de grão (trigo, soja, milho, etc). Tem que travar preços com antecedência, pelo menos no volume necessário para pagar os compromissos ou esperar para depois de janeiro.

Asimp/Consultoria Trigo & Farinhas

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