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Sítio Flora Brasilis, na Warta, realizou curso de Permacultura e construiu sistema de saneamento ecológico

A utilização de sistemas ecológicos para tratamento de água e esgotos na zona rural, com foco na permacultura, se expande e mostra sua eficiência. O tanque de evapotranspiração (Tevap) e o círculo de bananeiras são alternativas ecológicas aplicadas para o tratamento domiciliar das águas de uso doméstico em zonas rurais.

Recentemente, o Sítio Flora Brasilis, na Warta, Distrito de Londrina, construiu os dois sistemas durante o curso de Permacultura, abordando o saneamento ecológico, realizado para um grupo de 10 pessoas, entre elas produtores rurais, técnicos, estudantes e profissionais liberais.

Foi construído o tanque de evapotranspiração, que transforma esgoto do vaso sanitário (águas negra) em um eficiente adubo líquido que será aproveitado pelas plantas.  Para construir o Tevap é feito um tanque retangular, dimensionado ao número de usuários e com um metro de profundidade, impermeabilizado com lona para não contaminar o lençol freático.

É então preenchido com uma camada de material cerâmico em baixo, separada com uma espécie de feltro de camadas de terra na parte superior onde são plantadas espécies com folhas grandes, que tem grande propriedade de transpiração das águas absorvidas pelas raízes.

O sistema trata de forma limpa e ecológica a água envolvida e, diferente dos sistemas convencionais, a água presente neste processo retorna ao ambiente na forma de vapor através da transpiração das folhas. Assim o sistema de evapotranspiração evita a poluição do solo, dos lençóis freáticos, rios e nascentes. 

A engenheira ambiental Adriana Galbiati, que ministrou o curso no Sítio Flora Brasilis, explica que no Tevap as bactérias anaeróbias fazem a decomposição da matéria orgânica e os nutrientes que estavam na matéria orgânica são disponibilizados para as plantas. “Desta forma sobra uma água rica em minerais, uma vez que os patógenos ficam filtrados na terra. As plantas absorvem apenas a água com os minerais para o seu desenvolvimento”, diz ela.

Diferente do Tevap, o círculo de bananeira trata as águas cinza, produzidas no banho, pias de cozinha e banheiro, lavanderia e quintal. O sistema utiliza um tanque, um buraco em formato de semiesfera onde planta-se em sua borda as mudas de bananeiras orientadas ao centro. O buraco, então, é preenchido com madeiras, palhas e galhos de árvores, que são  materiais secos de difícil decomposição. Este espaço central da estrutura pode receber restos de podas e varrições ao longo do tempo.

A água da pia da cozinha, segundo Adriana, é a mais problemática por causa da gordura e restos de comida, os quais se forem lançados sem tratamento podem obstruir os poros da terra. O círculo de bananeiras dispensa, inclusive, a tradicional caixa de gordura que muitas vezes não funciona adequadamente e acaba deixando a gordura ir para os rios, segundo Adriana.

Neste sistema, todo restos de alimentos e excesso de gordura vão ficar retidos na matéria orgânica que atua como um filtro. “O tanque ficará cheio de matéria orgânica em decomposição e a água vai passar por ali, beneficiando as bananeiras”, explica Adriana, que é mestre em Permacultura.

Um dos princípios da Permacultura, diz Adriana, é fazer o melhor uso da natureza, que é abundante e tem seus ciclos renováveis. “Se eu sei o tempo que uma floresta leva para crescer, e retirar dela mais do que ela é capaz de se renovar, o ciclo vai se quebrar”, explica, acrescentando que na questão dos resíduos é a mesma coisa. “Se o indivíduo souber se inserir nos movimentos da natureza, ele vai se responsabilizar pelos seus resíduos.  Ou seja, sabendo quanto lixo se gera e tendo a boa vontade de saber para onde este lixo vai, rapidinho a pessoa vai querer fazer uma compostagem de minhocas na sua casa e separar os recicláveis”, comenta ela.

Sítio planeja outras práticas da Permacultura

O proprietário do Sítio Flora Brasilis, Max Mertzg, está aplicando na propriedade um planejamento que foi desenvolvido ao longo de alguns anos sob a ótica da Permacultura. “O antigo tipo de esgoto foi inutilizado; não era mais adequado”, diz Max, informando que o saneamento ecológico foi a primeira abordagem no Flora Brasilis, por ser a demanda mais essencial. Futuramente, ele pretende desenvolver outras práticas da Permacultura como sistema agroflorestais e bioconstruções.

O objetivo, acrescenta Max, é atingir a sustentabilidade envolvendo três pilares: social, econômico e ambiental, tornando a propriedade um ambiente de difusão desta cultura ecológica através de cursos como este que foi realizado, e vivências, que transpareçam um estilo de vida sustentável.

Localizado na região da Warta,  o sítio tem 15 alqueires, dos quais 11 alqueires são mecanizados. Os quatro alqueires que seriam inutilizados, do ponto de vista da agricultura convencional, estão sendo utilizados sob o design da permacultura. “Esses quatro alqueires são a cereja do bolo”, diz o proprietário Max Mertizg.

Vera Barão/Asimp

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