Digite pelo menos 3 caracteres para uma busca eficiente.

O Paraná tem excelentes condições de produzir cafés de alta qualidade. Essa constatação foi repassada pelo engenheiro agrônomo Francisco Barbosa Lima aos participantes do Curso de Capacitação em Classificação e Degustação de Café que está sendo realizado em Londrina pelo CREA-PR e Associação dos Engenheiros Agrônomos em parceria com o IAPAR e Emater.

Neste último final de semana foi realizado o segundo dos quatro módulos do curso, que tem aulas teóricas nas sextas-feiras à noite na Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina e práticas durante os sábados nos laboratórios do Centro de Qualidade do Café do Iapar.

O objetivo do curso, segundo Francisco Barbosa é dar noções de classificação e degustação aos participantes entre eles técnicos, torrefadores e pessoas com interesse na cadeia do café. “Nós resumimos o conteúdo do curso oficial de degustador e classificador oficial de café que é feito em 240 horas, num treinamento de 40 horas, mas que contempla todas as etapas do conhecimento sobre esta cultura, desde a sua origem, colheita, pós colheita, classificação dos grãos, origem dos defeitos, classificação por peneira e cor, torrefação e degustação, onde os participantes aprendem as qualidade básicas dos mais diferentes tipos de bebida. Não estamos formando classificadores oficiais de café, mas todos vão sair com conhecimentos básicos para avaliar a qualidade desta bebida”, diz ele.

João Benito, presidente da Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina diz que com este curso de alta qualidade é inédito na entidade que, em conjunto com o CREA, Iapar e Emater, está oferecendo uma grande oportunidade de crescimento e formação de profissionais de alta performance. Os temas abordados vão da história do café ao real potencial do Paraná para produzir de cafés de altíssima qualidade, abrindo novas perspectivas de rendimento tanto para os produtores como para os técnicos que tenham interesse em trabalhar com esta commdity.

Nas décadas de 50 e 60, o Paraná produziu cafés de alta qualidade, principalmente no Norte Pioneiro e Norte Novo, regiões favorecidas pela altitude e latitude, apresentando clima mais ameno, onde o café tem um ciclo de 210 dias a 220 dias. No Norte Novíssimo e Noroeste o ciclo é de 180 dias, concentrando a colheita em meses mais chuvosos. Nesta época, em que a maior produção se concentrava nas regiões do Norte Pioneiro e Norte Novo, consta nos registros do IBC (Instituto Brasileiro do Café) que o Paraná produzia cafés de alta qualidade, assim como os produtores destas regiões recebiam os melhores preços do Brasil. Quando o maior volume passou a ser produzido nas regiões Norte Novíssimo e Noroeste as estatísticas mostram que os preços começaram a cair, em função da queda na qualidade, explica Barbosa.

O Paraná foi o maior produtor de café do Brasil durante muitos anos. Em l962 produziu 21,3 milhões de sacas numa área plantada de 1,8 milhão de hectares. “Foi a maior área contínua de uma cultura perene no mundo. Na safra deste ano devemos produzir menos de um milhão de sacas. Para ele, o ideal seria o Paraná manter uma produção em torno de 2 milhões de saca. Com esse volume poderia manter a estrutura existente no campo, no comercio e indústria do Estado. Muitos municípios ainda dependem do café economicamente e empresas nos setores industrial e comercial como nossas torrefadoras e indústrias de solúveis que estão comprando café em outros estados. Portanto o Governo deveria criar um plano de apoio à cafeicultura para manter o que ainda temos e incentivar novos plantios”, explica Barbosa.

Ele sugere algumas medidas do Governo para reverter a situação. “O setor governamental pode apoiar e alocar o seguro agrícola que tem parte subsidiada pelos cofres públicos para os cafeicultores. Quase a totalidade desse seguro é destinada aos que plantam a safrinha de milho e o trigo. Poderia também incentivar a compra de máquinas e implementos apropriados, promovendo a mecanização das lavouras; apoiar às associações de produtores que poderiam comprar estas máquinas para serem utilizadas comunitariamente além de beneficiar e classificar a produção formando lotes de cafés para o mercado; e melhorar a assistência técnica no campo. Sabemos que atualmente, 70% dos produtores de café não contam com assistência técnica do Governo. O Paraná não pode prescindir do seu café, até por uma questão histórica”, finaliza Barbosa.

Nilson Herrero/Asimp

Comentários:

Seja o primeiro a comentar!


Deixe seu comentário:

Aceita receber as novidades do Jornal União em seu e-mail?
* todos os campos são obrigatórios