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Agência de Notícias PR

Num país campeão no uso de agrotóxicos, o Programa Paranaense de Certificação de Produtos Orgânicos (PPCPO) modificou o cenário em 67 propriedades rurais apenas neste ano. Os beneficiados com a certificação gratuita são pequenos agricultores e agroindústrias familiares, que tinham muita dificuldade em mudar o sistema de produção em função do alto custo de uma certificação privada – em média R$ 3 mil por ano.

O programa, financiado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que destinou R$ 3,6 milhões para o período 2012/2015, reúne especialistas de seis universidades do sistema público estadual e o Centro Paranaense de Referência em Agroecologia (CPRA), órgão vinculado à Secretaria da Agricultura, com a chancela do Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), que é o certificador oficial.

Como explica o professor Ednaldo Michellon, da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e do comitê gestor do PPCPO, os agricultores obtêm aumento do valor agregado de sua produção e acesso a programas de alimentação escolar, que por lei precisam comprar 30% de orgânicos, além de oferecer um produto diferenciado ao mercado.

A previsão, de acordo com o agrônomo Rogério Barbosa Macedo, da Universidade do Norte do Paraná (UENP), é certificar pelo menos 400 novas unidades de produção ou processamento de produtos agrícolas até o final do programa, em 2015, e re-certificar outras 200 unidades já certificadas em trabalhos anteriores.

Apenas para se ter uma ideia da importância da certificação orgânica, dados da Anvisa deste ano revelam que 29% das amostras de alimentos coletadas em supermercados e analisadas pela instituição apresentaram presença de agrotóxico (44% pepino, 59% morango, 89% pimentão).

No Brasil, a agricultura familiar é responsável por cerca de 70% da produção de alimentos; no Paraná, em particular, 90% dos agricultores são familiares (são cerca de 300 mil propriedades). Para vencer os desafios e gargalos na organização dos pequenos agricultores e na comercialização de produtos orgânicos, o PPCPO pretende consolidar o Paraná como o Estado de maior produção de orgânicos no Brasil e fomentar a inovação tecnológica na área da produção orgânica para agricultores familiares e a organização dos agricultores através do cooperativismo ou associativismo para a comercialização em escala da produção orgânica.

Levando em conta que as Nações Unidas definiram 2014 como o Ano Internacional da Agricultura Familiar, o programa do governo do Paraná atua também na qualificação de profissionais para atuar como auditores em sistemas orgânicos de produção e processamento. O programa promove cursos de Assistência Técnica e Extensão Rural voltados ao manejo orgânico de culturas, sobre técnicas de cultivo e controle de pragas.

As demais universidades estaduais que participam do programa são a UEL (Londrina), Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro) e o campus de Paranaguá da Universidade Estadual do Paraná (Unespar).

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