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As lavouras de milho foram altamente atingidas por, praticamente, todas as intempéries climáticas este ano: seca no período da floração; as geadas próximas à colheita; sem contar atraso no plantio devido à retirada tardia da soja, perdendo, consequentemente, a melhor janela para início da lavoura. Resultado: previsão de quebra de até cerca de 50% da colheita no Paraná.

O cenário não impacta, negativamente, apenas os produtores, mas também a cadeia produtiva da carne e chega ao consumidor. O milho é importante ingrediente da alimentação animal. Na suinocultura, 90% dos custos que envolvem a criação dos animais são representados pela alimentação, sendo que 70% deste total é a composição do farelo mais o milho, explica Alexandra da Silva Lukianou, gerente de suprimentos da Divisão Solutions do grupo RPF. Segundo ela, o preço do milho dobrou no mês de julho deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. E o mercado acredita que o preço irá subir ainda mais, diz ela.

A realidade para o milho é preocupante não só nos estados produtores brasileiros, todos atingidos de alguma forma pelas condições climáticas. Também o Paraguai, de onde o Brasil poderia importar o grão, registra perdas em suas lavouras. Estados Unidos e Argentina são grandes produtores, mas além de terem alto consumo interno, o preço do dólar encarece a importação.

Alexandra informa que os frigoríficos estão buscando alternativas para evitar o repasse dos custos ao consumidor, como por exemplo, apostar no varejo com produtos com valor agregado e não só com a carne in natura. “A indústria está absorvendo o aumento nos custos o quanto pode, tentando ganhar em outras frentes. Mas pode chegar uma hora que sejam necessários reajustes”, comenta ela.

A dependência da ração animal pelo milho, explica, se dá devido ao alto teor energético do produto, necessário para a saúde e desenvolvimento do animal. Ela considera que outro produto para substituir o milho com eficácia semelhante seria o sorgo, trigo e farinha de trigo, mas a produção brasileira é baixa e os preços também estão a altos.

 “A situação atual em que nos encontramos mostra a necessidade de se discutir a evolução de nossas lavouras irrigadas de forma racional e sustentável. Não podemos ficar reféns das intempéries climáticas. Precisamos pensar seriamente na questão da segurança alimentar”, analisa.

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