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No Paraná, 30% dos cerca de seis milhões de hectares cultivados necessitam de intervenção imediata

No dia Nacional da Conservação do Solo, 15 de abril, especialistas da Ciência do Solo alertam sobre a degradação do solo e dos recursos naturais, que encontram-se em estágio avançado em algumas áreas do Brasil. No Paraná, 30% dos cerca de seis milhões de hectares cultivados necessitam de intervenção imediata.

De acordo com o  diretor do Núcleo Paranaense da Ciência do Solo, pesquisador do Iapar Arnaldo Colozzi, se nenhuma medida for adotada em caráter urgente, corre-se o risco de a recuperação dessas áreas ser muito difícil ou extremamente dispendiosa.

No Paraná, estado pioneiro no Sistema de Plantio Direto na década de 1970, o abandono das práticas conservacionistas vem trazendo consequências desastrosas ao solo. Para tentar reverter o mau uso do solo, existem recomendações das instituições de pesquisa para manutenção do terraceamento em Sistema de Plantio Direto (SPD).

Outra estratégia para mudar este cenário de degradação, segundo Colozzi, é o Prosolo Paraná, que integra e coordena todos os demais programas governamentais já existentes voltados à conservação do solo e da água. O programa envolve todos os órgãos (públicos e privados) que têm relação com o assunto – inclusive cooperativas e associações de produtores –, a fim de que haja soma de forças e diálogo entre as partes envolvidas para resolver os problemas ambientais nas propriedades rurais.

Dentre as diversas funções, o solo proporciona, direta ou indiretamente, mais de 95% da produção mundial de alimentos. No entanto, esta fina e frágil camada que recobre a superfície da Terra e leva milhões de anos para ser formada pode ser perdida e degradada pela erosão em poucos anos de uso, tornando-se improdutiva ou reduzindo sua capacidade de produzir alimentos, pastagens, fibras e biocombustíveis para uma população cada vez maior e mais exigente.

No estado de Minas Gerais, por exemplo, estima-se que mais de 40% das áreas de pastagens estejam degradadas.  O processo de degradação já está impactando a produtividade no Brasil.  São milhões de hectares de terra tornando-se improdutiva que acabam por empurrar a produção agrícola para novas áreas de ambientes naturais, como a floresta Amazônica. Isso é desnecessário, pois a ciência do solo no Brasil é rica para oferecer alternativas para prevenção e recuperação de áreas degradadas não apenas pela agropecuária, mas também por atividades fortemente degradantes como a mineração.

Um bom exemplo da importância econômica da preservação dos solos, diz o pesquisador, são as  perdas resultantes da erosão que provocam a redução da capacidade produtiva das terras agrícolas; o assoreamento (deposição de partículas sólidas) e redução da capacidade de armazenamento dos reservatórios de água (represas) usados para geração de energia e para abastecimento de grandes cidades; a redução da quantidade e qualidade da água seja para atender as necessidades dos agricultores no campo ou das cidades e indústrias.

Estimativas recentes mostram que as perdas anuais de solo no território brasileiro atingem valores da ordem de 500 milhões de toneladas de terra e cerca de oito milhões de toneladas de nitrogênio, fósforo e potássio, nutrientes fornecidos às lavouras para aumento de produção. “Essas perdas têm impacto direto na economia, em razão do maior custo dos alimentos, uma vez que os nutrientes perdidos precisam ser repostos ao solo para manutenção da produtividade das lavouras, e nos recursos naturais pela contaminação de corpos de água, influenciando os organismos que neles vivem”, pontua Colozzi.

Vera Barão/Asimp/Nepar

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