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De acordo com a Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes (ABRATES), o Brasil é o país que mais investe em pesquisa com sementes no mundo. Porém, ressalta-se que ainda há muito que melhorar, especialmente com relação à postura dos produtores na hora de adquirir a semente. Apesar da crescente preocupação com a qualidade, ainda é muito alto o percentual de semente salva ou pirata. No caso da cultura da soja, por exemplo, esse número gira em torno de 36% no âmbito nacional.

Tendo em vista que a qualidade da semente utilizada irá determinar o sucesso da lavoura, bem como a redução de custos com tratamento fitossanitário, a coordenadora de Microbiologia e Tratamento de Sementes do Instituto Phytus e doutora em Engenharia Agrícola, Caroline Almeida Gulart, explica que um dos principais cuidados que o produtor deve ter ao iniciar o planejamento da lavoura é a compra de sementes com vigor, germinação e pureza dentro de padrões estabelecidos, pois somente assim, irá conseguir uma lavoura com estande adequado, bem como a certeza de que não ocorram sementes de outras cultivares misturadas. “Além disso, atenção especial deve ser dada à qualidade sanitária das sementes, pois nas últimas duas safras, tem-se observado o aumento de problemas relacionados a doenças em plântulas de soja pela alta incidência de fungos transmitidos via semente, especialmente Colletotrichum truncatum”. A pesquisadora chama atenção ainda para a próxima safra de verão, que promete altos volumes de chuva em função do El Niño, e é bem provável que o problema se repita, visto que, havendo fonte de inóculo e chuvas para dispersão, é quase certa a alta incidência dessa doença, o que pode levar o produtor a ter que replantar áreas com baixo estande em função dessas contaminações, aumentando custos.

Arroz

No caso do arroz, um cuidado especial deve ser dado à alta incidência de patógenos como Bipolaris oryzae e Pyricularia grisea, pois nas nossas condições climáticas, normalmente essas são as doenças que podem acarretar maiores perdas. “Na última safra, foi observada elevada incidência dessas doenças, mesmo em plântulas recém-emergidas, o que comprova a alta capacidade de transmissibilidade dos patógenos”, comenta Gulart. Ressalta-se, no caso de Pyricularia grisea, que em testes realizados, apesar de não ter sido detectado na patologia de sementes, quando essa mesma amostra foi semeada em condições de alta umidade, houve grande incidência da doença, evidenciando que, talvez o teste de Blotter, não seja o mais indicado para detectar o patógeno.

Milho

No caso da cultura do milho, apesar de ser uma cultura onde a taxa de uso de sementes certificadas é relativamente maior, é necessário realizar testes de patologia para detecção de Aspergillus spp., Penicillium spp. Fusarium moniliforme e Diplodia sp. Esses patógenos são transmitidos via semente e além de causar apodrecimento das mesmas e, consequentemente, queda no estande, no caso dos três primeiros, ainda podem causar danos até o final do ciclo, caso de F. moniliforme e Diplodia sp.

Em todos os casos, além da obtenção de sementes certificadas, recomenda-se que, sempre que possível, sejam realizado testes de patologia para se ter noção de quais patógenos eventualmente estejam presentes e, assim, o produtor consiga nortear o tratamento químico com produtos mais específicos visando minimizar a transmissão para plântulas. A pesquisadora destaca que, apesar de representar um custo mais alto, é de grande valia a compra de sementes com tratamento industrial, visto que, são muitas as vantagens quanto à qualidade do tratamento, a certeza da dose correta, cobertura uniforme e, principalmente, redução de danos, mantendo a integridade física das sementes.

Daiane Köhler/Asimp/Instituto Phytus

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