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Quatro projetos pilotos estão sendo implementados por produtores que fazem parte do Projeto de Cafés Especiais e que se dedicam a produção do cereja descascado, no Norte Pioneiro do Paraná

Os produtores de cafés especiais do Norte Pioneiro do Paraná vão dar mais um passo rumo à qualidade. O Sebrae/PR está trazendo uma tecnologia adequada aos pequenos produtores da região do Norte Pioneiro, que visa migrar do cultivo do grão natural para o cereja descascado, com os devidos cuidados relativos à responsabilidade ambiental. O processamento dos frutos envolve as operações de lavagem e descascamento, que podem acarretar danos ao meio ambiente. Pensando nisso, o Sebrae/PR está implementando quatro projetos pilotos na região para fazer o tratamento adequado de água e dos resíduos. Outros produtores poderão se beneficiar da tecnologia, visitando essas propriedades.

Odemir Capello, consultor do Sebrae/PR e gestor do Projeto de Cafés Especiais, relata que o Brasil é o maior produtor mundial de café. Estima-se que 70% desta produção seja proveniente de pequenas e médias propriedades. Somente as médias e grandes, em sua maioria, fazem uso de máquinas descascadoras de café cereja, que reduzem o volume para a secagem em 40% a 50%, e preservam uma melhor bebida, agregando valor ao produto. No entanto, o alto custo dos maquinários inviabiliza sua utilização pelos pequenos produtores. “Conhecendo essa realidade, estamos trazendo uma tecnologia da Costa Rica com custo baixo e que é acessível aos nossos produtores”, conta Capello.

O projeto terá a contribuição da empresa costa-riquenha, ACERES, que trabalha com café e cacau. O proprietário da empresa, Leonardo Sánchez Hernández, que possui expertise na tecnologia do cereja descascado, uma tradição no país da América Central, foi contratado pelo Sebrae/PR. Segundo Sánchez, a proposta dos quatro projetos pilotos é investir na melhoria da qualidade, por meio do cultivo do cereja descascado, prestando atenção no tratamento da água e da polpa, que são altamente contaminantes.

Um dos projetos que será implementado em uma propriedade em Joaquim Távora visa à redução da quantidade de água no  tratamento. No tratamento por via úmida, na lavagem, o café que vem da roça passa por um tanque para limpar as impurezas do grão e separar os frutos verdes e maduros. Em seguida, selecionados para o processo de despolpamento. “Nossa expectativa é a redução máxima do uso da água como uma forma de minimizar o impacto ambiental. Nosso sistema não pretende eliminar a lavagem, mais sim melhorar a qualidade do café e reduzir o consumo da água”, detalha.

Em todos os pilotos será aplicada uma metodologia de produção mais limpa, que inclui a regulação do pH e a eliminação de sólidos das águas residuais. “Na primeira etapa de tratamento vamos nos concentrar no pH da água e na separação dos resíduos sólidos e sedimentos. E, na segunda fase, nosso objetivo é eliminar entre 60% e 70% da contaminação, para não causar danos inclusive às fontes de água”, explica Sánchez.

Outra tecnologia que será apresentada no município de Congonhinhas pelo especialista da Costa Rica é o uso do biodigestor para o processamento de matéria orgânica. “O equipamento trabalha com bactérias contidas em estrume de animais (gado, suíno, entre outros), as quais degradam a contaminação das águas residuais do café. Esta combinação produz um biogás que será utilizado no fogão do mesmo produtor”, esclarece o consultor Capello.

O caso de maior impacto dentro do Projeto de Cafés Especiais do Norte Pioneiro será realizado em Tomazina, no bairro rural Matão, onde quatro produtores se uniram para melhorar a qualidade do café, adquirindo em conjunto uma máquina para fazer a via úmida. Esse fator permite concentrar em um mesmo ponto os dejetos gerados e dar a eles um tratamento adequado, sem causar danos ao meio ambiente.  A inciativa faz parte da implementação dos projetos pilotos trazidos pela ACERES. “O próprio Sebrae/PR fomenta o associativismo no Projeto dos Cafés Especiais. A ação é uma maneira eficaz de diminuir os gastos e melhorar a qualidade da produção em todas as propriedades envolvidas”, completa Leonardo Sánchez.

Asimp/Sebrae/PR

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