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Uma das maiores mudanças e adaptações que tivemos de realizar por causa do isolamento social devido à pandemia foi a ampliação de trabalhos e estudos à distância. As longas e intermináveis reuniões de trabalho, aulas remotas e encontros virtuais em família fizeram com que celulares e computadores se tornassem nossos companheiros diários. Na vida das crianças e dos jovens não foi diferente e, com isso, veio o medo dos familiares quanto à exposição de seus filhos à internet e tudo aquilo que ela traz.

A preocupação das famílias é que crianças e jovens passem horas em frente às telas, com medo de que isso possa ser prejudicial à sua saúde e à sua educação. Mas o que, de fato, é tão ruim na internet que poderia prejudicar nossos educandos? Muitas vezes, tais preocupações estão amparadas apenas em um estranhamento, recusa ou insegurança do que é novo, e é isso que precisamos desmistificar.

Uma das maiores questões em se expor tanto à internet tem a ver com os conteúdos que ela traz. Não ter total controle sobre o que crianças e jovens consomem causa preocupação, e é justamente aí que os responsáveis devem atuar: em mostrar para esse público que a verdade não está em uma única referência de um único website e assumir que não teremos o controle sobre tudo o que os educandos consomem culturalmente.

Curadoria e direcionamento

E é aqui que entra a escola. Mesmo à distância, professores e professoras se empenham em ensinar aos seus estudantes que estar neste mundo da informação exige que aprendamos a lê-lo, entendamos de onde vêm os fatos para, então, formarmos a nossa opinião. É na escola que crianças e jovens aprendem a usar as ferramentas de pesquisa, a selecionar informações de fontes confiáveis e a debater sobre os assuntos cotidianos e o próprio procedimento de uso da internet.

Professoras e professores sempre estiveram interessados e empenhados em ensinar procedimentos, promover experiências, estruturar aprendizados, orientar sobre fontes e pesquisas e oferecer materiais. Faz tempo que esses profissionais não se importam apenas com o conteúdo a ser ensinado. A internet é apenas mais uma ferramenta do mundo que entrará nos currículos escolares e com a qual professores irão trabalhar.

Enquanto crianças e jovens aprendem a lidar com esse recurso tão precioso nos tempos atuais, constroem conhecimento sobre as ferramentas e os conteúdos da internet, aumentando sua autonomia com relação ao uso que podem fazer dela. Essa é uma demanda social e o tempo de exposição deles na internet colabora para que tenhamos sujeitos hábeis a lidar com os avanços tecnológicos. Não tenhamos medo.

Garantimos o ensino do uso das ferramentas e dos conteúdos na internet e observamos os educandos interagindo com ela, sempre diversificando essa experiência com outras atividades da vida que continuam relevantes, como exercícios físicos, interação social e estudos formais.

O que nos resta é confiar no nosso ensino e transmitir essa confiança às crianças e aos jovens, acreditando em seu discernimento no uso das tecnologias da informação.

Lara Marin - Autora do livro “A Cultura nos Livros Didáticos” (Editora Appris),  é mestre em Estudos Culturais pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Além de sua atuação como pesquisadora, é autora de projetos e materiais didáticos desde 2008.

#JornalUnião

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