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Muitas vezes fico pensando em expressões de ordem, como Natal sem fome, em um país que, bem sabemos, diante da péssima política econômica e do desgoverno atual, terá milhões de pessoas com fome neste Natal.

Com efeito, entre janeiro e junho, o desemprego bateu recorde, com 14,7% da população economicamente ativa sem ocupação, sendo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o maior registrado desde 2012. Já a fome propriamente dita atinge 20 milhões de pessoas devido à falta de oportunidade, à carestia dos alimentos,ao preço do botijão de gás e à conta de energia.

O mais interessante são os pequenos movimentos protagonizados por grandes empresários bilionários, alguns ligados ao setor financeiro, para promover doações às comunidades carentes, que, muito embora sejam iniciativas louváveis, não resolvem um problema social, ou seja, melhor seria se cerrassem fileiras para apoiar um projeto de governo digno, nos moldes de uma social democracia, visando a maior justiça social com a erradicação da miséria, da pobreza, e não só oferecerem cestas básicas à população pobre, pois tais cestas são “uma gota no oceano da pobreza, do desalento e da fome”.

Para se ter ideia do descontrole econômico no país, a inflação também bateu recorde, e em novembro o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) acumulou uma alta de 10,74%, contando os doze meses anteriores, sendo este o maior índice desde 2003. Toda essa alta deve-se principalmente ao aumento dos preços dos combustíveis, pois observa-se que nos últimos meses a gasolina acumulou uma alta de 50,78%; o etanol, de 69%; e o diesel, de 49,56%. Sem contar é claro os demais componentes do chamado “prato feito”, como arroz, carne bovina, tomate, feijão preto etc.

Pela cidade o número de moradores de rua subiu de forma assombrosa, e o perfil destes não é mais o mesmo de outras épocas, em que se encontravam principalmente alcoólatras e viciados sem moradia. Hoje o morador de rua é um desempregado, um trabalhador que amargura a depressão da desesperança, da aflição de não ter porvir, de sentir o abandono do Estado, estando à mercê da fome, das doenças, protegido apenas por uma redonda barraca de lona que acaba colorindo de tristeza as partes centrais da cidade e também muitos bairros. Apesar de não ser cristão,  fico muito emocionado nesta época de Natal, pois o que me toca é a insensibilidade do Estado brasileiro ao promover uma celebração em lugar do clamor por um “Natal sem fome” diante de tanta injustiça social.

Feliz Natal…e Próspero Ano Novo!

Fernando Rizzolo é advogado, jornalista, mestre em Direitos Fundamentais.

#JornalUnião

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