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Segundo dados do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a Amazônia Legal teve uma área de 877 quilômetros quadrados sob alerta de desmatamento, ou seja, uma alta de 5% em relação a 2020, e recorde histórico para o mês de outubro. A Amazônia Legal corresponde a 59% do território brasileiro, englobando 8 estados: Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Tocantins e parte do Maranhão.

Os alertas foram feitos pelo DETER, sistema que faz o monitoramento florestal – tanto para áreas totalmente desmatadas como para aquelas em processo de degradação (por exploração de madeira, mineração, queimadas, entre outros motivos). Esse fato, se levarmos em conta a importância de um ecossistema equilibrado, é terrível, pois comprometemos a vida animal, vegetal e toda riqueza pujante do ponto de vista do meio ambiente, que está sendo violado pela ganância dos exploradores, e o pior, o discurso do governo ignora esses dados, haja vista que na Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) em Glasgow, o governo montou um enorme espaço para vender a ilusão do compromisso ambiental, o que não é verdade, pois estão sendo promovidos grandes cortes pelo Governo Federal em áreas que seriam fundamentais para a preservação do meio ambiente, com danos de grande impacto.

Com efeito, vivemos uma administração negacionista, que não se preocupa com as consequências das mudanças climáticas e, infelizmente, faz o possível para desacreditá-las ou minimizá-las. Portanto, toda essa política ilusória mostrada ao exterior, afirmando que estamos “enfrentando o desmatamento, e que até 2028 isso não mais existirá”, faz parte íntegra do negacionismo climático, que tem sua raiz nos demais negacionismos do governo, como a desqualificação da ciência diante da pandemia, até um negacionismo conspiratório, por meio do quase discute também uma eventual “conspiração mundial” contra o Brasil visando à Amazônia, até porque, na visão das teorias negacionistas, a Amazônia “não pega fogo” e o desmatamento é obra de ribeirinhos ou indígenas com suas pequenas roças, narrativa esta muito difundida pelos extremistas do agronegócio e seus asseclas, que afirmam de forma contumaz queo aquecimento global se trata de uma “fraude” e que o ambientalismo é comandado por uma “máfia”.

Infelizmente só nos resta promover a conscientização popular sobre a importância da manutenção das riquezas e os benefícios de uma política ambiental responsável, não só para o mundo atual, mas para as próximas gerações.

Fernando Rizzolo é advogado, jornalista, mestre em Direitos Fundamentais - rizzolot@gmail.com

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