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O Carnaval, tão esperado, não poderá acontecer neste ano, porque ainda vivemos sob os riscos da pandemia e, mesmo com a esperança dada pela vacinação, sabemos que é uma tarefa desafiadora as vacinas chegarem em todos os cantos do Brasil. Por isso, este tempo de comemoração não será realizado. Por outro lado, essa mudança nos faz refletir sobre alguns aspectos do curso da vida.

Desde que a epidemia começou, iniciamos um aprendizado de novos hábitos, costumes e adaptações, bem como perdas, distâncias, rivalidades, ausências. Feriados remarcados, datas suspensas, comemorações adiadas.

Porém, refletindo sobre o carnaval, vou um pouco além, pensando na necessidade de mantermos o hábito de comemorar e manter viva a chama da alegria, de olhar para o lado e ver o que de bom nos acontece.

Outro ponto importante para pensarmos está até mesmo relacionado à forma que usamos para comemorar. No carnaval, muitas vezes, nos deparamos com excessos. Sempre penso: Por que as pessoas passam dos limites? Por que bebem demais, por exemplo?

É muito importante olharmos e reconhecermos nossas conquistas e superações. Pois, muitas vezes, temos uma forte tendência a ficar apenas remoendo as situações negativas, e hipervalorizá-las, o que não é nada bom.

Celebrar pequenas e grandes coisas é um ritual talvez perdido devido ao contexto atual, mas importante: com ele podemos valorizar os ciclos quando alcançamos um objetivo, não importa se maior ou menor. Nesse sentido, não precisamos de grandes feitos comemorativos, não é necessária uma comemoração desenfreada, quase que em bloco, que exibe em nós ou até nos leva a fingir um sentimento que nem sempre faz parte de nós.

Temos passagens bíblicas que falam da importância da celebração, da comemoração e do valor do tempo: “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus. Tempo para chorar e tempo para rir; tempo para gemer e tempo para dançar” (Ecl 3,1-4).

O carnaval é apenas uma data, entre os 365 dias do ano. Por isso, podemos pensar um pouco mais sobre como temos vivido esse tempo. Não se trata de renegar as perdas e dificuldades, mas de não ficarmos atrelados a elas o tempo inteiro.

O desalento constante nos corrói como um ácido, portanto, é importante superar momentos difíceis e valorizar a vida, o simples fato de estar vivo, lendo este texto. Quantas vezes nos falta o agradecimento diário pelo simples e ordinário da vida.

Se pudermos aprender algo sobre este tempo, é que precisamos reaprender a agradecer, a valorizar e a comemorar todo pequeno momento vivido em nossos dias. Encontrar a medida certa, que não envolva uma alegria tola e forçada, nem a manutenção de um pessimismo que nos barre e impeça de ver o melhor a cada dia.

Elaine Ribeiro é psicóloga clínica e organizacional da Fundação João Paulo II / Canção Nova - Twitter: @elaineribeirosp

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