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Em tempos de análises intensas sobre a democracia, nada mais relevante que uma reflexão social acerca da educação brasileira. Sobretudo a respeito do movimento alfabetizador, que apropria os cidadãos para se colocarem crítica e socialmente.

Para iniciarmos essa ponderação, devemos compreender melhor o que significa alfabetização. Não é somente a capacidade de decodificar símbolos e letras. Mais do que isso, é compreender a escrita e, sobretudo, seu valor social.

Justamente, os brasileiros estão carentes de alfabetização embutida de valores sociais. O ato de aprender a ler e escrever, nessa perspectiva, deve ser promovido no chão da escola. E mais: além dos muros escolares, atingindo todas os extratos econômicos e sociais.

Seria interessante termos uma sociedade crítica, autônoma e que saiba ler o mundo, não é mesmo? Com pessoas que atendam os parâmetros de cidadania e de governabilidade impostos em território nacional.

Para isso, o trabalho de Paulo Freire é extremamente frutífero – ao contrário das críticas intensas a ele. Freire não está ultrapassado. É, sim, consideravelmente moderno para os interesses governamentais que regem a educação brasileira.

Existem lacunas significativas nos processos educacionais de crianças, jovens e adultos. Alguns consideram que trazer Freire para a escola básica é um retrocesso. Mas a ausência de suas diretrizes nos bancos escolares vai além da perspectiva alfabetizadora: é uma discussão política e social.

Freire é cidadania e socialização. É, certamente, integração entre escola, comunidade e saberes (formais e informais). Explorar os pensamentos Freireanos na educação do século 21 é permitir que esse movimento da comunidade na escola e da escola na comunidade se concretize e atinja resultados positivos para a sociedade brasileira.

Kellin Inocêncio é professora do curso de Pedagogia nas modalidades Presencial e Ensino a Distância do Centro Universitário Internacional Uninter.

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