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O anúncio de que o tradicional Instituto Butantã já começou a fabricar a vacina contra o coronavírus é uma excelente notícia. Ela vem ao lado de informes internacionais da eficácia de vacinas de outros laboratórios. Isso nos leva à crença de que não demorará muito para termos a situação sob controle e ir voltando à vida normal. Preocupam-nos, no entanto, as decisões governamentais de impor novas restrições à população, que já não aguenta mais ser tolhida em suas necessidades (muitas delas básicas, como trabalhar e ganhar o sustento próprio e da família). Espera-se que os governantes saibam o que estão fazendo e jamais caiam na vala comum dos radicais ou interesseiros que povoam a História e levaram milhares (ou até milhões) de pessoas ao sofrimento e à morte motivados pelos experimentos que buscavam a qualquer custo o suposto aperfeiçoamento do mundo e da sociedade. Que nunca se esqueçam ser o homem um ser integral que, ao mesmo tempo, necessita tanto de cuidados de saúde quanto de alimentação, convívio e outros insumos sociais. Torcemos para que sejam comedidos, só criem restrições quando não houver outra alternativa e, mesmo assim, não estiquem a corda além do absolutamente indispensável.

Também é preocupante a informação de que, com o aumento da infecção e das internações, as vagas na rede hospitalar começam a ficar escassas. Está na hora de remontar os hospitais de campanha desmobilizados na baixa da pandemia. E, mais que isso, é preciso exigir que os equipamentos adquiridos e não entregues, que motivaram até o afastamento e processos de impeachment de governadores, sejam entregues pelos fornecedores ou buscados em outras fontes. O que não podemos é assistir a população carente dos aparelhos para poder continuar respirando e eles encaixotados ou desviados para finalidades que não as motivadoras da aquisição e/ou contratação.

Os responsáveis pela estrutura de combate à pandemia precisam ser ágeis e, com a rapidez que aconselham o “fecha tudo”, tomar providências para que os necessitados de socorro o encontrem ainda em tempo de preservar a vida. É certo que muitos, especialmente os portadores de comorbidades graves, fatalmente perecerão. Mas que não seja por falta de atendimento na hora certa e, principalmente, de recursos técnicos.

Outra coisa que os responsáveis pela Saúde Pública precisam manter em foco é que as pessoas não padecem só de Covid-19. As moléstias que antes da pandemia já provocavam filas nas portas do serviço de internação dos hospitais continuam existindo e fazendo vítimas (possivelmente muitas delas escrituradas na conta da Covid) que precisam de atendimento. Em toda parte há notícias de indecorosas filas de vítimas de AVC, câncer e outros males esperando por vagas nas insuficientes UTIs.

As autoridades  - presidente da República, governadores, prefeitos, operadores de Saúde, Justiça, Ministério Público e especialmente o Supremo Tribunal Federal (na condição de  guardião da Constituição) – têm o dever de observar e cumprir o que determina o artigo 196 da Carta Magna: “a saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Ignorá-lo é prevaricar...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com

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