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Desde que as esquerdas, então ornadas por fantasias de democratas, puderam voltar a atuar na política brasileira, a Nação convive com a tática do denuncismo e do escândalo como meio de se chegar ao poder. Com a Anistia, os proscritos do regime de 1964 voltaram e, esquecidos dos pecados que os levaram ao exílio e até ao banimento, puseram-se a construir narrativas contra os adversários. O Partido dos Trabalhadores, desde o seu nascedouro, serviu-se do discurso ultramoralista que o sustentou e até justificou sua postura de ser contra todos os avanços, inclusive a Constituição de 88, gerada à luz da redemocratização. Mesmo depois dos acontecimentos que levaram ao impeachment da presidente e à prisão do principal líder da sigla, ainda permanecem a fala vitimista e, sempre que possível, o ataque desmedido ao oponente.

O discurso de desconstrução, utilizado contra os adversários, acabou por atropelar os próprios petistas quando no poder. E até hoje vivemos um mundo de narrativas que, no lugar de informar, têm por objetivo atrapalhar o governo e a ordem institucional. Bem analisado, esse clima é o responsável pelo mau-humor que tem alimentado as crises. Nas últimas eleições, o povo disse não a esse tipo de comportamento e optou pelo novo caminho proposto por Jair Bolsonaro. Agora temos apenas o começo dessa nova fase, resultante da votação da maioria. De um lado, o governo buscando viabilizar seus projetos junto ao Congresso e, de outro, a Justiça apurando as condutas denunciadas como criminosas.

Vive-se um tempo de construção. O novo governo e o Congresso reformado têm de mostrar a que vieram, propondo, discutindo e votando leis que recoloquem o país nos trilhos. Um trabalho árduo que, bem executado, trará resultados. Governo, Congresso e corporações classistas e sociais envolvidas em interesses devem discutir à exaustão seus temas e possibilidades, mas nunca travar ou engavetar as decisões. O novo Brasil depende delas. Da mesma forma, a Justiça tem de exercer com regularidade a sua missão de analisar as contendas e,quando for o caso, sentenciar quem tenha cometido ilegalidades, na justa medida dos desvios. Tudo de forma rotineira e habitual. As narrativas insustentáveis, a desobediência civil e a vitimização não têm razão de continuar existindo.

O povo, que acordou, está atento e hoje, além dos veículos tradicionais de comunicação, tem também as redes sociais como aliadas e difusoras de suas vontades. As autoridades dos três poderes são permanentemente observadas e, se não cumprirem com suas obrigações, certamente terão problemas. É bom que se acautelem. Há que se considerar que as reformas são necessárias, inadiáveis e não pertencem ao governo, aos parlamentares e nem aos partidos políticos. São propriedades do povo brasileiro e, para surtir bons efeitos, têm de ser bem cuidadas e convenientemente votadas. Sem narrativas nem mistificações.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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