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O Papa Francisco, por meio do documento “Patris Corde” proclamou 2021 como o Ano de São José. Esse documento, cuja tradução significa “Coração de pai”, aborda, justamente, o coração paterno, cheio de amor e acolhimento de São José ao seu filho adotivo, Jesus. Interessante notar que, em meio aos novos rumos que a humanidade tomou forçosamente, devido à pandemia, muitos homens tiveram que estar mais tempo presente em casa, trabalhando remotamente. Mesmo que tenha sido por uma obrigação, converteu-se em chance, para o pai estar mais presente na vida dos filhos e da esposa.

Com a revolução industrial, o homem se viu obrigado a sair de sua oficina, sua lavoura, enfim, de seu meio de sustento, que geralmente ficava ao lado ou próximo de sua casa e possibilitava tanto o contato afetivo, como a transmissão de sua profissão aos seus filhos. Ir para as fábricas, para as cidades, provocou, em muitos casos, o distanciamento dos filhos. Até nessa época, o pai era muito mais presente na vida dos seus rebentos.

No século passado, foram as mulheres que tiveram inserção no mercado de trabalho, provocando outra mudança de comportamento e na sociedade. Vemos hoje muitos filhos criados pelos avós ou em creches e escolinhas infantis ou simplesmente, pela mãe, que sendo solteira ou mesmo casada, assume sozinha o cuidado das crianças.

Um outro Papa, São João Paulo II, em meados dos anos 80, afirmou que a plenitude do ser masculino está na paternidade. Ou seja, quando o homem se torna pai, descobre um motivo nobre em sua existência, desde que doe tudo o que ele é e tem, pela vida e pelo bem de alguém indefeso e dependente dele, seu filho. 

Nenhum ser humano chega à plenitude de si, a razão de sua existência, sem compreender que fazer o bem ao outro é o verdadeiro motivo de sua vida. A busca por satisfação e realização de metas próprias são boas, mas nos preenchem até o ponto em que começamos a desejar outro objetivo ainda maior.

A vida dos santos nos ensina que dedicar-se a salvar, proteger e suprir o semelhante traz uma realização que não se compara a nenhuma outra. Para termos um exemplo, cito o trabalho dos médicos que se voluntariam em países subdesenvolvidos e me pergunto: será que algum deles tem dilemas existenciais em sua alma? Creio que não, porque quando fazemos o bem sem esperar retribuição, salvamos, primeiramente, a nós mesmos. Assim também será com um pai e uma mãe que abrem mão de certos confortos para si mesmos, e se dedicam em tempo, à amizade ou ensinando algo a seus filhos, e se esforçam para vê-los felizes. 

Esse documento “Patris Corde” tem muito a ensinar, a nós homens, nesse tempo atual. Nem é necessário gerar na carne para colocar isso em prática. Eis o que disse o Papa Francisco: “A felicidade de José não se situa na lógica do sacrifício de si mesmo, mas na lógica do dom de si mesmo”. Se fizermos por amor, não se torna obrigação ou peso.

“O mundo precisa de pais”, precisa de Josés que, com coração de pai, acolham, dêem de si mesmos aos filhos, às esposas, aos jovens, aos idosos, aos menos favorecidos, enfim, ao próximo! Aprendamos a ser inspirados por São José em nossas atitudes.

Sandro Arquejada é missionário da Comunidade Canção Nova e autor dos livros: “As Cinco Fases do Namoro”, “Maria, humana como nós”, “Ato Conjugal, Beleza e Transcendência”, “Terço dos homens e a grande missão masculina”, “Quem tem um amigo tem um anjo”, “Como Rezar o Terço Mariano” e “Devocionário à Santa Cruz”, todos pela Editora Canção Nova.

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