Digite pelo menos 3 caracteres para uma busca eficiente.

Recentemente, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM/RJ), disse em entrevistas que está articulando proposta com os partidos políticos para redução de salários de servidores. Ele defende que, devido à crise mundial que se instaurou com a pandemia da COVID-19, essa é a hora de sacrifícios para diminuir gastos públicos.

Eu também concordo que é hora de sacrifícios. Por essa razão, tenho uma proposta melhor e mais coerente que a dele: cortar salários e benefícios de parlamentares. Vamos aos números.

O salário de um parlamentar é de R$ 33.763. Essa remuneração é superior a 99% dos trabalhadores. Além dessa alta quantia, parlamentares recebem R$ 4.253,00 de auxílio moradia, como se um salário superior a R$ 33 mil não permitisse, com folga, arcar com custos de aluguel. Há também verba de R$ 111.675,59 para contratação de até 25 funcionários, que são escolhidos a critério do próprio parlamentar.

O presidente da Câmara tem direito a outras regalias, como carro oficial com dois motoristas à disposição, gabinete exclusivo, residência oficial de 800 m², viagens em aviões da Força Aérea Brasileira e verbas para contratar 47 funcionários, além dos 25 que já tem direito, que custam em torno de R$ 4,2 milhões por ano.

Apenas em 2019, o Congresso gastou quase R$ 190 milhões com o pagamento de despesas que incluem alimentação, aluguel de veículos, combustíveis (gasolina ou álcool), passagens aéreas, entre outros. Somando todos os gastos, o Congresso Nacional é o mais caro do mundo, perdendo apenas para o dos EUA.

Com o número crescente de casos de COVID-19, especialistas acreditam que podem faltar recursos para atender os doentes. Essa é a oportunidade que a Câmara, liderada por Maia, tem de demonstrar o seu patriotismo. Com a redução de salários dos deputados seria possível comprar respiradores artificiais suficientes para todas as Unidades de Tratamento Intensivo (UTI). Também seria possível construir mais instalações médicas para recebimento de doentes e adquirir milhões de testes para detecção da presença do vírus.

Portanto, ao invés de cortar salários de servidores públicos, o que seria desrespeitoso, desumano e prejudicaria centenas de famílias, Rodrigo Maia e os demais parlamentares devem abrir mão de parte de seus salários e de suas regalias em prol da saúde do povo brasileiro. Se quiserem sacrifícios, que comecem dando o exemplo.

Antonio Tuccílio, presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

Comentários:

Seja o primeiro a comentar!


Deixe seu comentário:

Aceita receber as novidades do Jornal União em seu e-mail?
* todos os campos são obrigatórios

Utilizamos cookies e coletamos dados de navegação para fornecer uma melhor experiência para nossos usuários. Para saber mais os dados que coletamos, consulte nossa política de privacidade. Ao continuar navegando no site, você concorda integralmente com os termos desta política.