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15 de outubro, Dia do Professor. Data em que olvidamos principalmente à infância e juventude para encontrar, ainda que na maioria das vezes em memória, aqueles que nos facultaram as letras e as técnicas de melhor utilizá-las. Com elas nos tornamos cidadãos úteis e aprendemos a nos manter e evoluir social e economicamente, mercê daquilo que nos foi dado a conhecer e das oportunidades que o mercado nos proporciona.

Venho daquela época em que todas as famílias almejavam suas moças como professoras. As vocacionadas enfrentavam as dificuldades da época em formação e colocação profissional e triunfavam. Via-de-regra, aceitavam o desconforto de lecionar em distantes escolas rurais, de onde só retornavam para casa nos finais de semana. Naquele tempo eram poucos os que podiam ter automóvel e os transportes coletivos eram limitados, exigindo grandes caminhadas complementares. Pela sua formação e índole, a professora era a orientadora e guardiã das crianças que as mães lhe confiavam. Costumava ser dócil mas exigente e  respeitada tanto pelos alunos quanto pela comunidade. Não é àtoa que deixaram saudade.

Lembrar que todos os demais profissionais dependeram de professores para a sua formação e treinamento é lugar comum, mas também é uma das mais perenes verdades. Mesmo quando estamos aprendendo uma profissão ou ofício, quem nos ensina é o professor que, além de conhecimento e habilidades no ramo de trabalho escolhido, tem a didática que torna mais facil e eficiente o nosso aprendizado.

A evolução da sociedade e o avanço tecnológico exigem atualização continuada dos métodos de educação e de seus aplicadores. O antigo e popular recurso da palavra+giz hoje esta acrescido de lousa eletrônica, computador, tablet, smartphone e outros produtos e serviços que oportunizam o ensino tanto presencial quanto à distância. Foi isso que, mesmo com as dificuldades, evitou que milhares de estudantes de diferentes níveis ficassem totalmente privados do aprendizado durante a pandemia do coronavírus. Na emergência, mestres dedicados e com bom conhecimento acumulado foram capazes de agrupar as aulas dentro dos processos e equipamentos eletrônicos que o aluno acessou remotamente. A figura do professor se destaca e merece todo o respeito pelo trabalho que realiza, muitas vezes em condições que não são as ideais..

Lí a publicação de um festejado articulista ligado à área da educação que, metaforicamente, anunciava vaga para contratar um professor "com mente de Prêmio Nobel, transbordando criatividade de artista genial, um corpo de fuzileiro naval, a paciência da Santa Irmã Dulce e o equilíbrio de um lama septuagenário do Tibete". Se esse mestre existir, vai melhorar em muito a qualidade do ensino. Professores inteligentes e preparados, com os dotes ali descritos, total comprometimento com os currículos das escolas onde trabalham e nenhum alinhamento ideológico. No ambiente escolar, o que menos interessa é o posicionamento político do professor, que tem todo o direito de tê-lo mas não de externá-lo ao alunado durante as aulas. Ali ele é o grande transmissor do conteúdo programático do estabelecimento e este não contempla militância, seja ela de esquerda, de direita centro ou de qualquer outra eventual tendência. A tarefa de ensinar é uma verdadeira arte, talvez um sacerdócio, e exige respeito que alguns – infelizmente – ainda não conseguiram compreender e por isso fazem questão de ignorar. Oxalá todos se conscientizem e compreendam que educação e política partidária ou ideológica são importantes no contexto da sociedade, mas cada qual no seu devido lugar. Jamais praticadas num mesmo espaço.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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