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O pronunciamento do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, que atribui sua vitória ao triunfo da mensagem de centro no espectro político nacional, é algo para se pensar. É preciso compreender que sua vitória foi pessoal – até genética – e pouco teve a ver com lideranças que o pudessem ajudar. No difícil enfrentamento da Covid-19, por exemplo, Bruno teve iniciativas e ações próprias e, não foram poucas as vezes que suas atitudes bateram de frente com as do governador João Dória, até então tido como seu padrinho político. Responsável pelo maior município brasileiro e da América do Sul, não viajou ele na minimização do problema pregada pelo presidente da República e nem no discutível rigor implantado pelo governador. Tomou as suas providências e não vacilou em voltar atrás ao vê-las impróprias, como deve fazer qualquer administrador responsável.

A partir dessa eleição de segundo turno, Bruno Covas tem patenteada a sua luz própria no cenário político local, estadual e nacional. E, a exemplo do avô, o saudoso Mário Covas – que era um turrão no embate mas não um radical nas atitudes – envereda-se pelo espectro centrista da política que, bem analisado, é o que mais simpatizantes deve reunir fora da militância política. Seu nome, com certeza, está inscrito ao lado das lideranças nacionais e isso o credencia para importantes vôos sem a dependência de supostos caciques que o possam tolher ou incentivar. Sua idade – 40 anos – é outro ponto positivo.

A apuração das urnas de 2020 conduz o país a um saudável equilíbrio. O Partido dos Trabalhadores – atropelado pelos problemas que criou enquanto governo e na atuação parlamentar radical – encolheu-se ao tamanho dos que não representam as grandes massas. Tanto que a esquerda não petista buscou guarida em outros abrigos e conseguiu até chegar ao segundo turno, embora sem vencer, em São Paulo e Porto Alegre, duas das mais importantes capitais. O espectro direitista, que reivindica para si a tutela do presidente Jair Bolsonaro, também não foi além do seu tamanho natural. E o próprio presidente, que já governa com boas relações ao centro, pode até ser levado a filiar-se a um partido centrista e, assim, acabar com o intolerável discurso dos adversários de que teria a disposição de radicalizar à direita e até quebrar as instituições.

As eleições constituem o grande termômetro do que pensa o povo e sinalizador do caminho por onde devem seguir os políticos para, com sua atuação, atender às aspirações populares. As de 2020, tanto pelos votos depositados nas urnas quanto pela abstenção elevada, sinaliza que a sociedade brasileira está farta da mistificação, dos sofismas e da falta de caráter demonstrada por uma parcela daqueles que dizem representá-la. O brasileiro, por índole, é um povo cordato e pacífico e só age quando insuflado. Agora nem a insuflação tem sido vitoriosa porque os insufladores perderam a moral junto às massas. Estamos entrando num período em que deverão predominar as políticas de centro e do equilíbrio e vão para a lata do lixo os rompantes e o radicalismo daqueles que, em vez de ações concretas e sensatas, querem ganhar seu espaço no grito. É preciso eliminar o ranço – criado pelas esquerdas – de que o centro é um escritório de barganhas e compreendê-lo apenas como o ponto de equilíbrio. “Centrão” - no formato que foi concebido nos anos 80, durante a Constituinte - tem de ser coisa do passado, e ir para o mesmo lugar que as extremas políticas, tanto as de esquerda quanto as de direita...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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