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A cada dia fica mais nítida a impressão de que estamos virando mais um ciclo da vida social, política e econômica, não só do Brasil, mas de todo o mundo. Jamais poderíamos imaginar ainda ver um feriado de 10 dias, onde as pessoas são exortadas a ficar em casa, não fazer e nem receber visitas. Mas está acontecendo. Antigamente, um acontecimento tão inusitado assim era tido como possível só em estado de guerra. Pensando bem, o estado de guerra está presente, como decorrência da Covid-19, que vem matando mais de 3 mil brasileiros todos os dias. O mais desesperador é que os hospitais são insuficientes para atender a todos os doentes e não existem mais profissionais de saúde disponíveis para serem contratados e abrir novas vagas. Isso não é novidade na vida brasileira. Antes da pandemia, durante muitos anos, haviam  imensas filas de doentes à espera de vagas tanto nas UTIs quanto em leitos normais. Eram os pobres, que não podiam pagar e, por isso, não chegavam a sensibilizar, apesar do farto noticiário-denúncia da imprensa. No quadro de hoje, morrem tanto pobres quanto abastados pois não existem vagas (e até tratamento) mesmo aos que poderiam pagar rios de dinheiro. Fez-se a decantada igualdade, da forma mais dolorosa possível.   

Assustados, acompanhamos os desdobramentos da grande crise sanitária, que se desdobra em econômica, social, política e principalmente humanitária. O recrudescimento da infestação pelo coronavírus e sua cepa mais mortífera obriga a parar tudo. Centenas de municípios montam barreiras para impedir a entrada dos turistas outrora convidados a visitá-los. Os governos reeditam o auxílio que tem o objetivo de evitar a fome dos economicamente desvalidos; o automóvel é trocado pela bicicleta e o trabalho, quando pode, executado da própria casa, deixando às moscas os sofisticados escritórios, que se desvalorizam diuturnamente. O comércio e os serviços operam com restrições para garantir o distanciamento entre as pessoas. E o pior é que uma razoável parcela da população não compreende a gravidade do quadro e ainda insiste em fazer festas e aglomerar-se. É preciso fazer algo para convencer essa gente a se guardar!

Não bastasse a hecatombe sanitária, temos a atividade político-administrativa convulsionada. Os titulares dos poderes da República divergem e o povo fica sem saber que rumo seguir. O comitê da vacinação que agora se tenta fazer funcionar com a participação dos governos federal, estaduais e municipais, do Congresso Nacional e dos órgãos da Saúde é uma boa iniciativa e esperana de encontrar o elo perdido. Pode representar o recomeço do equilíbrio que a corrupção e a  polarização política impuseram à vida nacional desde quando o povo foi às ruas contra Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos (2016). Some-se a isso a derrubada da presidente Dilma Rousseff, o governo-tampão de Michel Temer, a prisão de Lula, a facada em Bolsonaro, sua eleição e dois primeiros anos de governo. A eleição das atuais mesas da Câmara dos Deputados e do Senado representam o divisor de águas entre o destrutivo passado recente e a possibilidade da volta do país à normalidade democrática onde quem ganha a eleição governa e os que a perdem se submetem e fazem oposição consciente e produtiva.

Os rumos ditados pela crise sanitária abalam as estruturas. A volta do equilíbrio entre Legislativo, Executivo e Judiciário é a esperança de que, depois de vacinada a população e baixado o nível de infestação, adoecimento e morte de brasileiros, o país possa voltar ao caminho do desenvolvimento e o povo, finalmente, respirar com um certo alívio. Quando isso ocorrer, com toda certeza, teremos virado mais um ciclo da história, através de uma nova ordem sanitária, política, econômica e até de costumes. Terá se atingido a nova revolução, desta feita sem o tradicional uso de tropas, armas ou tiros. Que assim se faça...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br 

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