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A tendência de que a pandemia do coronavírus marcha para o fim não está no número de infectados e mortos, apesar deles terem começado a baixar nos últimos dias. Mais significativa é a ação dos gigantes do varejo redesenhando seus negócios, com novos segmentos, incorporações, aperfeiçoamento do comércio eletrônico e investimentos milionários. Os especialistas que dão suporte a esses negócios jamais incentivariam um movimento dessa ordem se não tivessem claras evidências de que em curto prazo o mercado estará normalizado. E, ao vê-los agindo, é conveniente todos nós, desde os titulares de médios e pequenos negócios até o simples cidadão, ficarmos atentos para o novo tempo. Quem não tem capacidade de investimento pode, por exemplo, buscar cursos gratuitos nas respectivas áreas que diferentes instituições vêm oferecendo pela internet. É fundamental a preparação para a concorrência que certamente virá.

Apesar de todos os problemas estruturais, a economia brasileira é altamente dinâmica. Seus empreendedores são arrojados e nos levaram, em algumas décadas, da condição de país eminentemente agrícola a industrializado, sem perder o foco no agronegócio, que hoje responde com 26% do PIB (Produto Interno Bruto). Ao mesmo tempo em que empresas e cidadãos se preparam para o depois da tormenta, é absolutamente necessário que o governo, o parlamento e as instituições se mobilizem pelas reformas –  tributária, fiscal, administrativa e outras  – que já se encontram no Congresso Nacional. O ideal seria retomar o desenvolvimento dentro de novas bases, com o Estado menos oneroso e o pagamento de menos impostos, para sermos competitivos tanto interna quanto externamente. Os preços dos nossos produtos têm de ser compatíveis com os da pauta internacional para podermos com eles abastecer o mercado interno e vender o excedente para outras regiões do planeta. Dessa forma, a remuneração dos meios de produção se converterá em desenvolvimento e bem-estar.

Nas reformas que se desenham no Congresso Nacional, um ponto que muito poderá favorecer o desenvolvimento é a busca do reequilíbrio das receitas dos entes federados. No passado, sob o argumento de combate à corrupção, a maior parte do bolo tributário foi agrupada na União, que faz redistribuição através de fundos de participação de Estados e Municípios. O bom será o dia em que os entes federados tiverem autonomia para arrecadar e aplicar a arrecadação e não haja a necessidade dos repasses de uma esfera para a outra. Mas isso ainda é algo distante, embora não impossível.

Temos um país de estrutura econômica e meios de produção fortes. Eles devem ser incentivados e apoiados para poder irradiar a sua força desenvolvimentista a toda a sociedade. As atividades econômicas têm de gerar empregos, renda e serviços sociais que melhorem a vida da população. O Estado arrecada os tributos e tem o dever de prestar serviços ao cidadão. Infelizmente ainda estamos atrasados nessa área e não há uma conscientização geral nesse sentido.

Além da volta das atividades econômicas, precisamos realizar um amplo movimento de conscientização popular para motivar o povo à luta cívica por seus direitos. Uma das necessidades está em baixar os crescentes níveis de abstenção e de votos bancos e nulos nas eleições. Em vez dessa forma de protesto, seria mais interessante o eleitor informa-se e votar naquele que lhe pareça o melhor entre os candidatos ou, até, no “menos pior”. Havendo essa postura do eleitor, os políticos também serão obrigados e melhorar o nível e, com toda certeza, os incompetentes, demagogos e cuidadores prioritários dos interesses próprios irão gradativamente perdendo espaço e o meio se depurando. Os políticos fazem parte do sistema, assim como nós, os eleitores. Temos de conhecê-los para deles fazer os nossos legítimos representantes e não correr o risco de votar nos que não se alinham aos nossos interesses.

Que venha o novo tempo...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br 

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