Digite pelo menos 3 caracteres para uma busca eficiente.

A América Latina, outrora explorada pelo colonialismo e durante décadas assolada por golpes, ditaduras e caudilhos, volta a ser palco de instabilidade. Não bastasse a Venezuela em crise político-ideológica com consequências humanitárias mundialmente conhecidas, temos hoje o Chile e o Equador sob protestos violentos da população, o Peru destituindo a suprema corte e o parlamento, a Bolívia reagindo contra o continuísmo do presidente Evo Morales, que busca o seu quarto mandato consecutivo, e a Argentina, sob grave crise econômica, com tendência a voltar ao kirchnerismo, herdeiro do peronismo. Diferente dos tempos da guerra fria, protagonizada por Estados Unidos, União Soviética e aliados, temos hoje como pano de fundo os problemas econômicos e, de certa forma, a luta ideológica  e os esquemas de corrupção que contaminaram o meio político e a maquina pública, com propinas e desvios de diferentes níveis e matizes.

Nesse quadro, o Brasil tem grande responsabilidade além das próprias fronteiras. Como maior economia do continente, pode oferecer efetiva contribuição para o equilíbrio regional. Mas, para isso, tem de resolver seus problemas como as reformas da previdência, administrativa, econômica e até política. Depois de tudo o apurado de irregularidades durante as últimas décadas – mensalão, petrolão e similares – e do aparelhamento do Estado, que levou à crise, é preciso voltar à sensatez e, principalmente, desonerar a inchada máquina pública. O resultado das eleições do ano passado apontam nessa direção mas, infelizmente, vivemos a impatriótica radicalização onde a contenda entre perdedores e ganhadores impede o avanço das reformas e, principalmente, a redução dos privilégios. O serviço público não pode continuar como fonte de riqueza para alguns e de desembolso para toda a população, os partidos políticos precisam ser redefinidos e deixarem de viver às custas do erário, da mesma forma que está se fazendo com os sindicatos.

Paralelamente ao desenvolvimento econômico ocorrido no pós-guerra, vivemos todas as dicotomias ideológicas e chegamos a um Estado inviável. O modelo brasileiro pouco difere do dos demais países do continente, onde o Estado é visto como a grande vaca onde todos querem mamar sem nada produzir. Isso precisa acabar para atingirmos, finalmente, a sustentabilidade econômica. No dia em que os países da área definirem sua estrutura econômica e administrativa e impedirem os maus hábitos, os investidores terão segurança para trazer seu capital e, com certeza, seremos a nova fronteira econômica do mundo. Aí, pouco importará a tendência política dos governos que o povo vier a escolher. Independente do que pensarem os eleitos, todos estarão sujeitos aos poderes institucionais do Estado e deles não poderão fugir. Isso já ocorre nas regiões mais desenvolvidas do planeta e poderá, muito bem, substituir a nossa temerária e volátil realidade...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) -  aspomilpm@terra.com.br 

Comentários:

Seja o primeiro a comentar!


Deixe seu comentário:

Aceita receber as novidades do Jornal União em seu e-mail?
* todos os campos são obrigatórios

Utilizamos cookies e coletamos dados de navegação para fornecer uma melhor experiência para nossos usuários. Para saber mais os dados que coletamos, consulte nossa política de privacidade. Ao continuar navegando no site, você concorda integralmente com os termos desta política.