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A missão do policial militar é a que tem influência mais direta no bem-estar da comunidade e até na estabilidade dos governos. É ele que, com sua atuação, garante a manutenção do direito de ir e vir aos cidadãos e o funcionamento das outras atividades econômicas e sociais. No seu dia-a-dia, previne e combate o crime, garante a ordem pública e dá suporte ao desenvolvimento das atividades publicas e privadas. Por contrariar interesses dos contumazes criminosos e desordeiros, é muitas vezes incompreendido, contestado e até perseguido, sendo vítima de fantasiosos processos onde o acusam sem as devidas provas de cometer a chamada “violência policial”. Além dos inimigos externos, o policial militar ainda enfrenta o rigor do próprio regulamento corporativo, mas suporta tudo porque, a maioria é composta por vocacionados.

Além da especificidade e das dificuldades do trabalho – que sofre a influência até dos avanços tecnológicos quando estes são utilizados pelo criminoso a combater – o policial militar paulista ainda padece com salários insuficientes para a sua subsistência. Para complementar os ganhos insuficientes e poder manter-se com sua família, busca a válvula do “bico”, que é a prestação de serviços de segurança a empresas e pessoas atuantes em áreas perigosas. O bico é proibido por lei, mas tradicionalmente tolerado porque todos – inclusive o governo – sabem ser a válvula de escape diante do baixo salário.

Ao executar essa jornada extra, no horário em que deveria estar descansando, estudando ou convivendo com seus familiares e amigos, o policial se estressa e, como resultado, volta cansado e desmotivado para cumprir sua jornada seguinte na corporação. Isso quando não é atacado e até abatido quando trabalhando para terceiros em bares, boates, estabelecimentos financeiros e outros de alto risco. O resultado de tudo isso é um policial extenuado e desmotivado que, por sua condição física e psicológica, poderá não ter a devida resposta na emergência das ocorrências que exigem raciocínio rápido. Se não decidir corretamente a atitude a tomar, pode ele próprio ou terceiros morrer em consequência disso. É por isso que entendemos a sobrejornada como prejudicial e contrária aos objetivos corporativos.

É voz corrente na tropa que os policiais militares paulistas são os que piores salários têm entre as 27 unidades federativas do país. Mas é importante destacar o seu espírito ordeiro e cumpridor de regulamentos. Em vários Estados já ocorreram greves que deixaram a sociedade desguarnecida e tiveram a influência direta em centenas de mortes entre os cidadãos pela falta da segurança pública. Em São Paulo isso não aconteceu e temos a certeza que não virá a ocorrer. Mas o governo, como empregador, tem de ter sensibilidade para essa situação e encontrar uma solução. Nossos policiais não podem continuar subsistindo por conta de salários incompatíveis com a atividade que exercem.

As entidades representativas da classe preocupam-se com esse problema e buscam o equilíbrio. O policial militar precisa ir ao trabalho na certeza de que não precisará recorrer ao exercício de atividades suplementares para conseguir viver condignamente com sua família. Esperamos que o governador João Dória, que em sua campanha já reconhecia a situação salarial difícil do policial militar, e seus auxiliares da área econômica sejam permeáveis e consigam atualizar os salários da classe, que vem tendo seus ganhos sucateados há pelo menos 10 anos e agora teve seus descontos previdenciários elevados em 7%. Os integrantes da corporação que – por razão disciplinar – não fazem reivindicações públicas e nem greve (porque isso lhes é vedado por lei) mas sofrem por não ter o soldo devido, que é possível, pois vem sendo praticado em outras unidades da federação. 

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br 

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