Digite pelo menos 3 caracteres para uma busca eficiente.

As desgraças ocorridas neste começo de ano sintetizam os descaminhos vividos pelo país. O acidente da barragem de Brumadinho (MG), que matou mais de 300 pessoas, o incêndio no alojamento que vitimou 10 jovens do Flamengo (RJ) e as mortes causadas pela chuva, comovem a população. Discute-se agora todas as barragens brasileiras, fiscaliza-se emergencialmente alojamentos de times de futebol e questiona-se responsabilidades pelas cheias. Mas pouco se fala sobre a falta de cuidados e de responsabilidade dos operadores e fiscalizadores dos empreendimentos públicos e privados. Os problemas existem há décadas, mas, depois que baixam as repercussões midiáticas das tragédias, ninguém cuida de solucioná-los.

O acidente de 2015, em Mariana (MG) não foi suficiente para induzir ao efetivo controle das barragens. Os deslizamentos nas encostas e as cheias nos vales são recorrentes (só no Rio, em 2009, foram 917 mortos e 345 desaparecidos). As 242 mortes da Boate Kiss, de Santa Maria (RS), em 2013, não foram suficientes para sensibilizar quanto à regularização da prevenção de incêndios em milhares de edifícios, que continuam pegando fogo e fazendo vítimas. Tanto que temos registrado sinistros de diferentes formas, mas a maioria decorrente da falta de prevenção. As cheias urbanas são cada dia mais frequentes e demonstram a falta de cuidados.

O país vive um tempo de mudanças. Depois de tantos anos de improviso, omissão e do famoso “jeitinho”, chegamos ao insustentável. É preciso exigir responsabilidade de todos. Os projetistas, construtores e operadores de empreendimentos têm o dever de zelar pela sua salubridade,  regularidade e segurança. Os governos não têm como fiscalizar tudo, mas devem exigir implacavelmente que os responsáveis pelos empreendimentos – tanto os donos quanto os técnicos – cumpram rigorosamente as normais construtivas, de segurança e operacionais, com a certeza de que, não o fazendo, sofrerão as consequências e responderão cível e criminalmente pelos danos que vierem a ocasionar e responderão até com o próprio patrimônio. Essa simples providência, que não exige novas leis mas apenas mudança de procedimentos, salvará o Brasil da maioria das catástrofes. Diferente do passado, quando vivíamos empiricamente, hoje temos sistemas meteorológicos, equipamentos de ponta e conhecimento que, empregados, são capazes de mitigar acidentes. Chega de barragens, prédios, clubes, repartições, vias públicas e até moradias que trazem riscos aos seus usuários. Quem as constrói ou opera tem o dever de manter o lugar seguro.

Governantes, empreendedores, técnicos, servidores e usuários de bens e serviços têm o dever de agir dentro da legalidade e de normas técnicas. Quando não o fazem, devem ser afastados e severamente responsabilizados pelos danos causados. O melhor é agir com rigor de forma a evitar as tragédias e o sofrimento da população.

Tenente dirceu cardoso gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

Comentários:

Seja o primeiro a comentar!


Deixe seu comentário:

Aceita receber as novidades do Jornal União em seu e-mail?
* todos os campos são obrigatórios

Utilizamos cookies e coletamos dados de navegação para fornecer uma melhor experiência para nossos usuários. Para saber mais os dados que coletamos, consulte nossa política de privacidade. Ao continuar navegando no site, você concorda integralmente com os termos desta política.