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Diferente das eleições primárias norte-americanas, onde os partidos Democrata e Republicano escolhem seus candidatos e definem a plataforma eleitoral, a prévia que o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) realizará neste domingo (21/11) está cercada de interrogações. A primeira delas é se, faltando quase um ano para as eleições, o vencedor terá garantida sua candidatura e se, porventura, o partido não se definir como o favorito numa possível terceira via, o virtual candidato terá o direito de  renunciar sem que isso lhe acarrete constrangimentos.

Os governadores João Dória (São Paulo) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul) são os concorrentes para valer. O amazonense Arthur Virgilio Neto - ex-senador, deputado federal, prefeito de Manaus e ministro do governo de FHC - mesmo consciente da sua falta de  chance, inscreveu-se na disputa com o propósito de representar a velha guarda dos tucanos e se pronunciar contra as alianças que seus parlamentares têm feito com o governo Bolsonaro nas votações mais apertadas do Congresso. Vai usar o espaço para puxar a orelha daqueles que levam o partido à adesão governista.

Outra indagação é de como se comportará o concorrente que perder a prévia, independente de ser Dória ou Leite. Os dois trocaram farpas e jogaram cascas de bananas um no caminho do outro durante o tempo em que o partido preparou a eleição interna. Uma das divergências esteve na permissão para filiados recentes votarem no domingo. Leite foi contrário e Doria favorável. O paulista perdeu, pois foi abortada a participação de prefeitos e vice-prefeitos recém-filiados por sua equipe com o compromisso de nele votar. Ambos também divergiram quanto à votação da PEC dos Precatórios na Câmara dos Deputados. O gaúcho, de perfil mais conciliador, apoiou o voto favorável e o paulista foi contra. Terá o perdedor do domingo grandeza suficiente para, esquecer os desencontros, apoiar e trabalhar pelo ex-concorrente?

A grande preocupação, principalmente dos tucanos tradicionais, está na possível desagregação do partido que, desde sua fundação, - para ganhar ou para perder - sempre participou das eleições presidenciais. O temor é que a prévia, em vez de unir, resulte na desunião e o PSDB se torne um mero coadjuvante do jogo.

É inegável que a candidatura tucana ao Palácio do Planalto tem inspiração na possibilidade da formação de uma terceira via, que seria a junção de todos os que se opõem a Bolsonaro e a Lula - hoje os virtuais candidatos de direita e esquerda - em torno de um nome de consenso que, a grosso modo, represente o centro ou algo parecido. Esse acordo, no entanto, ainda está distante, se é que um dia vai se concretizar. O mais recente complicador é a filiação do ex-juiz e ministro Sergio Moro ao Podemos, onde ele já se movimenta como aspirante à presidência da República. Outros partidos também deverão apresentar seus candidatos e, cada um deles, será mais um estorvo para a possibilidade de vitória da aventada terceira via. Todos conncordam em lançar apenas um candidato, desde que o escolhido seja ele próprio.

Não temos tradição e nem legislação que regule e traga sustentabilidade à realização de previas ou eleições primarias para a escolha dos candidatos que cada partido apresentará às eleições. Os próprios partidos padecem de falta de estrutura e métodos de funcionamento. Ainda teremos um longo caminho a percorrer para chegar ao estágio de escolher os candidatos com tanta antecedência – ainda faltam 11 meses para as eleições de 2022 – e levar suas candidaturas a termo com a possibilidade de vitória. A realização de prévias ou primárias poderia ser uma grande contribuição ao processo eleitoral se aqui tivéssemos, em vez de três dezenas de partidos sem grande estruturação, menor número de agremiações mais ativas, organizadas e com lideranças incontestes...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br 

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