Digite pelo menos 3 caracteres para uma busca eficiente.

É uma odiosa tentativa de golpe a proposta de criar uma quarentena de cinco anos para juízes, promotores, militares e policiais que quiserem participar das eleições, apresentada pela deputada Margarete Coelho (PP-PI), relatora do projeto do novo Código Eleitoral, em tramitação pela Câmara. Embora exclua da restrição os profissionais das áreas que já exercem mandatos, seu propósito é eliminar centenas ou milhares de outros que, de saída de suas carreiras, têm conhecimento e condição técnica para atuar politicamente e contribuir com o país e a sociedade. Denota-se, na proposta, uma tentativa corporativista do próprio parlamento para eliminar a concorrência através do “tapetão”. Se provocam tanto receio aos parlamentares, o raciocínio é que os possíveis candidatos poderão fazer algo de novo e, por isso, tenta-se fechar o seu caminho à postulação do voto.

A democracia, invocada até por aqueles que por ideologia trabalham pela ditadura do proletariado, vem dia-após-dia sofrendo mais ataques daqueles que a querem para proteger os seus próprios direitos mas a utilizam para negar o direito alheio. Juiz, promotor, procurador e policiais de todos os níveis são obrigados a passar a vida estudando para poderem desenvolver suas atividades. Nada mais justo que, quando chegam ao fim da carreira – ou se pretendem antecipar sua conclusão – possam oferecer sua experiência e conhecimentos à causa política e ao desenvolvimento do país. Tolhê-los lesa seus direitos de cidadãos e - o pior – priva o país de aproveitar suas competências, na maioria das vezes lapidada através de investimentos públicos.

Esses profissionais que o projeto pretende barrar são cidadãos como os demais. Têm direitos e deveres como todos os brasileiros. Não é porque parlamentares – especialmente aqueles que não fazem um bom mandato – têm medo da concorrência dessas classes de homens e mulheres bem preparados, que o conjunto do parlamento e os partidos políticos vão concordar um um disparate desses. Não podemos deixar que, agindo no interesse próprio, o baixo clero dos deputados transforme em cidadãos de segunda classe aqueles que reúnem competência e condições para substituí-los pelo processo eleitoral.

Há quem veja nessa estapafúrdia proposta uma tentativa de barrar uma possível candidatura do ex-juiz Sérgio Moro à presidência da República. Mas esse não é o pior. Se tiver partido que o lance e essa for sua vontade, o ex-juiz e ex-ministro deve concorrer e seja o que Deus (e o povo) quiser. O que não pode é ele e milhares de outros potenciais bons candidatos ficarem à mercê dos que deles têm medo de sua concorrência. Política é uma nobre missão e exige coragem de seus praticantes que, mesmo com a possibilidade de ser pessoalmente prejudicados, não devem fugir de suas obrigações e, principalmente, do respeito à Nação. O parlamentar que tem a certeza de estar cumprindo sua missão, não precisa ter receio e, se não for reeleito é regra do jogo; paciência, que seja substituído por alguém que possa fazer melhor.

Toda vez que se cria dificuldades para o lançamento de candidaturas, a realização de campanhas eleitorais e à interação de pretendentes aos postos eletivos com o povo, está se apunhalando a democracia e o interesse da comunidade. Espera-se que, apesar da má imagem que, por uma série de razões, o povo faz do Congresso Nacional e da classe política como um todo, ainda existam entre os 513 deputados e os 81 senadores uma maioria de homens e mulheres cônscios de suas responsabilidades para com a coletividade e a Pátria, capazes de rejeitar o oportunista e temeroso disparate produzido pela deputada Margarete Coelho que, mais do que normatizar as eleições, busca a reserva de mercado àqueles que, como ela, já possuem mandato. É preciso compreender que o mandato não pertence ao eleito, mas ao povo, que o entrega a quem melhor lhe interessar e não àqueles que recorrem a artifícios para se eternizarem nos postos e, com isso, sustentar o baixo clero. 

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

Comentários:

Seja o primeiro a comentar!


Deixe seu comentário:

Aceita receber as novidades do Jornal União em seu e-mail?
* todos os campos são obrigatórios

Utilizamos cookies e coletamos dados de navegação para fornecer uma melhor experiência para nossos usuários. Para saber mais os dados que coletamos, consulte nossa política de privacidade. Ao continuar navegando no site, você concorda integralmente com os termos desta política.