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Ao se deparar com um resultado positivo para a COVID-19, é natural que o ser humano entre em um processo de confusão mental e depressão - motivado pelo medo, pela insegurança e pela instabilidade ocasionados por dimensões incertas do vírus. O que poderá provocar sentimentos e reações que configurem alterações psicológicas que, se não tratadas desde o início, certamente, levarão esse indivíduo a desenvolver neuroses e traumas irreversíveis, agravando seu estado físico e mental.

A grande expectativa para quem testa positivo é de que a manifestação da doença não venha abastada por situações mais graves ou críticas. Que desperte apenas a forma branda da doença e, principalmente, que seja descartada a necessidade de isolamento em um Centro de Tratamento Intensivo (CTI) com riscos de intubação traqueal, seguindo um tratamento de linha de frente aplicado nos hospitais. Além disso, fortalece o desejo de que expressões habituais mais observadas nos pacientes positivados - como o desespero, medo exagerado, transtornos de ansiedade generalizada e as sensações de pânico - sejam eliminados e não entrem em cena. 

Porém a necessidade em seguir as orientações de isolamento total de parentes e das pessoas que se ama provoca o desafio em tentar manter uma saúde mental equilibrada, já que a demanda por um esforço psicológico tende a ser maior que o esforço físico. Sabemos que permanecer isolado dentro de casa não é muito agradável e tem-se demonstrado como um grande contratempo para os já diagnosticados com distúrbios de ansiedade ou transtornos de pânico. E a situação pode se agravar ainda mais ao ser  recomendado o isolamento em unidade hospitalar, pois o paciente, para inibir o lastro de contaminação, passa a ficar longe da família, privado de visitas e fora de seu ambiente natural. Tendendo a elevar a tensão e o medo que, consequentemente, irão contribuir para um diagnóstico de desequilíbrio mental e depressivo. 

 A testagem positiva também faz com que, por insegurança ou vergonha, alguns pacientes evitem comunicar o resultado do exame aos seus contatos, isolando-se de todos e esquivando-se das manifestações virtuais de vídeos chamadas ou telefonemas que ajudam a aproximar os amigos e a diminuir a solidão e a sensação de abandono tão devastadores para este momento.

É primordial manter a calma, controlar a ansiedade e cuidar da sua saúde mental, por mais assustador que possa ser descobrir-se infectado pelo Coronavírus. Tentar ficar tranquilo será de fundamental importância para enfrentar a doença e se recuperar, sem adquirir outros distúrbios ou neuroses psicológicas. 

Não se colocar no papel de vítima ou alimentar pensamentos negativos que farão com que a angústia cresça e contribua para fomentar uma tristeza interior devastadora e fulminante também será de suma importância para atravessar esse período. Lembre-se:  a maior barreira que podemos enfrentar é a de não acreditarmos que a cura é possível. Manter os pensamentos positivos e ter a certeza de que momentos ruins passam, não se permitindo dominar-se por sentimentos prejudiciais ao equilíbrio físico e mental, sem sombra de dúvidas é a maior prova de autocontrole do indivíduo. Sendo assim, aproveite a tecnologia para conectar-se com amigos e entes queridos. Transborde emoções e não tenha receio de externar o que sente. De maneira consciente, esvazie-se das angústias e das incertezas naturais que o isolamento provoca.

Se faz imprescindível refletir positivamente sobre os momentos já vivenciados, em que a superação o ajudou a vencer dificuldades, traumas e processos difíceis ao longo de sua jornada. Ao perceber o quanto amadureceu e cresceu em meio a situações conflituosas e desafiadoras, ficará mais fácil entender que, fortalecendo sua mente e alimentando a energia do enfrentamento, poderá sair vitorioso do processo traumático em que se encontra.

Por fim, no período da confirmação da testagem positiva para o COVID-19 e ao longo do tratamento, cultive a confiança e desenvolva rotinas que elevem seu bem-estar e sua autoestima. Hidrate-se e alimente-se corretamente, seguindo todas as recomendações médicas e não se deixe abater por paranoias e sentimentos depressivos. Cuide de seus pensamentos e valorize suas emoções. Crie uma rotina própria que propicie sensações de prazer e tranquilidade. Além disso, ao perceber a necessidade, busque ajuda de um profissional de saúde mental. Muitos estão realizando atendimentos virtuais que facilitam a condução dos casos. Assim, você poderá descobrir, mesmo em meio ao caos, que o autocuidado e o controle emocional são extremamente eficazes na eliminação de possíveis terrores e traumas mentais gerados por um inimigo invisível. 

Dra. Andréa Ladislau – Psicanalista -Doutora em Psicanálise – Palestrante – Colunista - Academia Fluminense de Letras - Gestora em saúde - Repres. Intern. (USA) da University Miesperanza (rodrigo.burgos@goldoniconecta.com.br)

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