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Dia 7 de fevereiro foi o dia Nacional do Leitor. Eu nem sabia que existia este dia, mas gosto da ideia, pois é mais um dia no qual podemos aproveitar para refletir sobre o acesso à leitura por parte de todas as camadas da população. Principalmente agora, em tempos de pandemia, quando a tendência é ler mais, já que precisamos ficar mais tempo em casa.

Infelizmente, o número de leitores parece não ter a tendência de crescer, a julgar pela qualidade do nosso ensino, da nossa educação, que com a pandemia ficam mais prejudicados ainda, uma vez que as escolas não estão podendo funcionais, para evitar aglomeração. A verdade é a educação brasileira que vem proporcionando cada vez menos que os leitores em formação saiam dos primeiros anos do primeiro grau gostando de ler. Pior, os estudantes do ensino fundamental estão chegando ao terceiro, quarto ano sem saber, efetivamente, ler e escrever, e não é de agora. Esse desmonte da educação já vem de décadas e é feito justamente pelos nossos “governantes, que deveriam zelar pela sua melhora. Nossas escolas públicas estão, literalmente caindo aos pedaços, os professores não são qualificados como deveriam e não são pagos condignamente e as próprias modificações que o poder público faz na educação – como mudar a maneira de alfabetizar as crianças, aumentar o prazo para que as crianças sejam alfabetizadas, tentando legalizar a falência do ensino, e transformar as 13 ou mais disciplinas do ensino fundamental e médio em apenas quatro áreas, numa óbvia tentativa de diminuir o conteúdo curricular, diminuindo ainda mais a qualidade que já era ruim.

Então nossos leitores em formação não são levados, infelizmente, a ter o hábito e o gosto pela leitura, com algumas exceções, pois conheço professores que fazem um trabalho excepcional neste sentido. A qualidade da educação brasileira tem que mudar, tem se elevar, o ensino fundamental e médio tem que ser olhado com mais carinho, com mais dedicação, com mais responsabilidade pelos nossos governantes, que parecem querer que o povo seja mais ignorante, para que não reivindiquem seus direitos. A educação tem que ser resgatada neste nosso país, urgentemente.

A leitura abre as portas do conhecimento, da imaginação, da criatividade. A leitura abre as portas para o nosso futuro. Precisamos trabalhar para que mais e mais brasileiros tenham acesso ao livro, não só no sentido de fazer com que eles adquiram a capacidade e o gosto pela leitura, mas que possam comprar livros, esse produto que ainda é caro para a maior parte da população, ainda que usufrua de algumas isenções.

Você, que pode comprar livros, não os deixe guardados em prateleiras ou gavetas. Troque-os, doe-os, empreste-os. É assim, também dessa maneira, que podemos fazer a nossa parte e colaborar para que aumente o número de leitores neste nosso imenso Brasil. Se cada um de nós fizer um pouquinho, o resultado geral pode ser bem animador.

Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor – Cadeira 19 da Academia Sulbrasileira de Letras. Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, que completou 40 anos em 2020. Http://luizcarlosamorim.blogspot.com.br

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