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A cada ano que passa é menor o número de testemunhas oculares do ocorrido em 1964, quando as Forças Armadas assumiram o poder em resposta ao povo que, através da "Marcha com Deus pela Família e Liberdade", pediu sua intervenção diante do risco de o país cair numa ditadura de esquerda. Cumpre-se o inexorável ciclo biológico. Para ser testemunha daquele momento, o indivíduo tinha de ser jovem ou adolescente e se interessar por política. Como o evento está completando 56 anos nesse 31 de março, quem dele participou ou assistiu já passa dos 70 anos de idade. A maioria já se recolheu e uma significativa parcela não vive mais. 

Com todos os executores e muitos que testemunharam mortos, os episódios de 1964 apresentam-se relativamente cobertos pela poeira da História; gradativamente, vão chegando mais perto da narrativa tranquila que restará para a posteridade. Não havendo mais os participantes e as testemunhas para a defesa ou acusação dos episódios, serão eles classificados como simples acontecimentos, já que inexistirão a emoção e o jogo de interesses de quem os protagonizou ou assistiu.

Os militares de então chegaram ao poder com o propósito de ali permanecerem por pouco tempo, até afastar a  dita “ameaça vermelha”. Tanto que tiveram o apoio dos políticos de centro e de direita de então. Mas acabaram permanecendo 21 anos e sofrendo os desgastes de quem exerce o poder com certa discricionariedade e, por vezes, não tem o absoluto controle dos próprios colaboradores. Tanto que, depois de devolverem o poder aos civis, tiveram seu período por estes classificado como “ditadura” e sofreram a narrativa vitimista, nem sempre sincera, dos que tiveram a missão de combater.

A tão festejada democracia surgida do recolhimento dos militares à caserna, apesar de ser o mais longo período não autoritário vivido pela República brasileira, enfrenta problemas. Foi assaltada pelos que acabaram eleitos pelo povo (e hoje são réus e até condenados na Operação Lava Jato) e deu uma guinada ao eleger presidente o ex-capitão do Exercito e então deputado federal Jair Bolsonaro que, a duras penas, toca um programa de reformas e é fortemente contestado.

Passadas quase seis décadas, ainda padecemos de problemas muito parecidos com os vividos em 1964. O país precisa encontrar o seu caminho. Oxalá não seja através do autoritarismo e nem do caudilhismo, da anarquia e, principalmente, da corrupção, que insistem em sobreviver e fazem o povo sofrer. Precisamos acessar e valorizar a verdadeira e autêntica democracia, para que ela seja capaz de manter as liberdades do indivíduo e a autoridade do Estado e de suas instituições e isso conduza o país ao grande destino, sonhado por todos os brasileiros  desde a mais tenra idade.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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