Digite pelo menos 3 caracteres para uma busca eficiente.

Principal é a vida, mas para preservar a vida, não vamos esquecer outros problemas. A afirmação do presidente, ao demitir o ex-deputado Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde, demonstra a preocupação do chefe de Estado com o conjunto do país e não apenas com um setor. E o ato de exonerar quem diverge de sua linha de atuação é o normal para qualquer governante, seja ele da União, estado ou município. Quem não está disposto a atuar conforme determina aquele que recebeu os votos (como procuração) do eleitorado, não pode permanecer. Bolsonaro errou só numa coisa: não demitir o ministro logo na primeira trombada. Isso levou à perda de tempo e articulações dos que usam a pandemia para fins políticos e pouco se importam com a saúde e a vida do povo.

Nelson Teich, o novo ministro, tem nas mãos a tarefa de pacificar a área e buscar resultados sem que o combate ao coronavírus desequilibre a economia nacional já enfraquecida pela sucessão de erros, escândalos e crimes cometidos ao longo de sucessivos governos corruptos que hoje são acusados nas barras dos tribunais. Modular as ações de sua competência de forma a que morra o menor número possível de brasileiros acometidos do mal oriundo da China e que tanto durante a batalha quanto depois dela, comércio, indústria, agricultura e serviços estejam funcionando e a população, com trabalho e renda, possa se alimentar, pagar suas contas e consumir, refazendo-se o ciclo virtuoso que sustenta a economia. Essa tarefa também é de governadores e prefeitos que, inspirados ou em parceria com o ex-ministro, mandaram parar tudo e hoje levam a comunidade ao desespero pela cessação de seus negócios e falta de horizontes para o futuro. Não se envergonhem de mudar suas determinações se assim exigir a sociedade a quem, pela via das eleições, se comprometeram servir. O Poder Judiciário não deve se imiscuir em questões que não são suas e, por prudência, evitar mediar ou optar por questões políticas ou subalternas nesse momento difícil.

Está claro que o Brasil tem uma grande dívida para com a população no quesito Saúde. Nos loucos anos em que significativa parcela da renda nacional foi desviada para a corrupção, deixou-se de ampliar o parque hospitalar e até de fazer a manutenção dos equipamentos já existentes. Por isso hoje se tenta fazer os leitos e UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) não serem acionados. Mas fazê-lo colocando praticamente toda a população em prisão domiciliar, pode não ser a solução. Tanto não é que, mesmo com as restrições, o noticiário mostra os hospitais já ficando cheios. O pretendido abrandamento da demanda mais se parece uma tentativa de evitar a demonstração de que “o rei está nu”, como na velha fábula, por não ter feito no devido tempo os investimentos no setor. Entenda-se como “rei” o governador, o governo, ou ambos.

Nada de isolar. Apenas se promova regime diferenciado aos indivíduos de risco – maiores de 60 anos e portadores de comorbidades de todas as idades – e deixem os outros trabalhar. Que para circular rumo ao trabalho nas ruas, praças, transporte e demais locais públicos, todos sejam obrigados a usar máscara e as empresas que não puderem oferecê-las aos seus trabalhadores e familiares não sejam autorizadas a voltar à atividade.  Já sofremos muitos surtos, epidemias e pandemias e em nenhum deles fomos fechados em quarentena, mesmo tendo morrido muitos brasileiros (só na gripe espanhola morreram 35 mil). É preciso verificar rapidamente e definir qual o procedimento mais adequado para o momento. Essa a obrigação  dos governos e dos centros de conhecimento em Saúde, especialmente as universidades públicas, custeadas pelos impostos recolhidos pela população. Mexam-se todos!...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

Comentários:

Seja o primeiro a comentar!


Deixe seu comentário:

Aceita receber as novidades do Jornal União em seu e-mail?
* todos os campos são obrigatórios

Utilizamos cookies e coletamos dados de navegação para fornecer uma melhor experiência para nossos usuários. Para saber mais os dados que coletamos, consulte nossa política de privacidade. Ao continuar navegando no site, você concorda integralmente com os termos desta política.