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Quando o assunto é vocação, comumente nossos pensamentos associam este tema à vida religiosa ou ao sacerdócio. Temos a tendência de imaginar que a realização de um chamado vocacional se dá quando alguém abraça uma missão em terras longínquas, e que viverá uma vida extraordinária, fora do alcance dos que vivem suas rotinas de trabalho, casa, e tantas outras atividades que fazem parte da vida da maioria das pessoas. Mas um convite recente do Papa Francisco, sobre viver o estilo de Deus em nosso dia a dia, diz muito sobre o que de fato é abraçar uma vocação que, ao contrário dos estereótipos ligados a esse assunto, acontece no cotidiano, principalmente quando nos encontramos com outras pessoas.

Segundo o ensinamento de Francisco, “três palavras indicam este estilo de Deus: proximidade, compaixão e ternura, realidades muito simples que podemos aplicar em tudo o que fazemos.” E certamente viver desse modo, que indica o Papa, nos leva àquilo que de fato é uma vocação: a verdadeira realização. Somos chamados, antes de tudo, a nos aproximarmos do desígnio de Deus para nós, e como consequência somos enviados às pessoas a quem se destina a nossa vocação, seja ela no âmbito familiar, profissional, religioso ou social.

A palavra proximidade nos conduz ao “Estilo de Deus” quando nos dispomos a ir ao encontro das pessoas, a doar a nossa vida pela missão que nos impele. Para alguns isso se realiza em sua própria profissão, para outros no exercício da maternidade e paternidade, bem como na vida missionária e nos trabalhos pastorais. E isso se dá de maneira natural, pois o exercício da vocação é uma resposta gratuita ao dom que recebemos.

A segunda palavra é compaixão, que se demonstra nas atitudes, olhares e sobretudo no modo como reagimos aos inúmeros perpasses que a vida nos apresenta. Viver uma vocação sem compaixão seria impossível, pois através desse nobre ato, nos tornamos canais do Amor de Deus que, como nos aponta o Papa Francisco, “é sempre generoso, gratuito e enche toda a nossa vida de alegria”. É na compaixão que todo chamado vocacional se torna autêntico, desinteressado e repleto de sentido.

Uma vocação que é vivida segundo o estilo de Deus, precisa ser marcada também pela ternura, atitude que tem feito a diferença no mundo atual, que muitas vezes nos apresenta um caminho oposto. A falta de relações afetuosas, relacionamentos marcados pela desatenção, superficialidade e julgamentos, levam as pessoas a se fecharem em seus espaços físicos e digitais. Mas a ternura nos impele a uma transformação, pautada nas recentes palavras de Francisco: “viver este ato revolucionário nos torna mais sensíveis diante da obscuridade da vida e das tragédias da humanidade”. Uma vocação vivida com ternura é certamente uma resposta concreta às atitudes que o próprio Jesus deixou como ensinamento: devemos ser portadores de esperança a tantos que passam por nós.

Podemos concluir que, para viver uma vocação, não precisamos realizar coisas grandiosas, pois com o “Estilo de Deus”, seremos impulsionados a viver o extraordinário na simplicidade dos nossos atos, pois “a vocação cristã é isso: permanecer no amor de Deus, respirar, viver desse oxigênio, viver desse ar”, reforça o Papa Francisco.

Que neste mês dedicado às vocações, você possa, assumir esse modo de viver e realizar a Vontade de Deus em tudo que faz, com proximidade, compaixão e ternura!

Thulio Fonseca é ex-aluno salesiano e missionário da Comunidade Canção Nova, atualmente na Frente de Missão em Roma – Itália.

#JornalUnião

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