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Artigos e Opinião 01/04/2018  11h39

A ceia Pascal

A última ceia realizada por Nosso Senhor com seus apóstolos - segundo o antigo rito judeu - foi uma “Séder” (solene refeição sacrifical pascal), um jantar cerimonial judaico em que se recorda a história do Êxodo e a libertação do povo de Israel. Por que esta formação explicando, não o sentido, mas o conteúdo da ceia pascal?

Devemos lembrar que sua finalidade antes de tudo era aprofundar nosso conhecimento dos evangelhos, tornando-os mais vivos para nós. Muitos pormenores foram omitidos dos contemporâneos judeus, porque achavam não haver a necessidade de serem mencionados. Por exemplo: Por que Nosso Senhor toma o cálice duas vezes no relato de Lucas (Lc 22:17-20)? É lógico que estava naquele momento instruindo para que fizéssemos o que determinou. Por que foi recitado um “hino” antes de os apóstolos deixarem o Cenáculo (Mt 26:30)? Acreditamos que era um costume antes de um retiro. Foi naquele momento que saíram para o monte das Oliveiras.  Estes e outros detalhes adquirem novo sentido à luz da tradição judaica.

A ceia Pascal aprofundará também a nossa compreensão das cerimônias litúrgicas da Semana Santa e Páscoa, repletas como são de figuras e alusões no Antigo Testamento. “Esta é a solenidade pascal, na qual o verdadeiro feliz, que despojou os egípcios e enriqueceu os hebreus” (canto do Exúltet, da Vigília Pascal, aludindo a Êxodo 12). “Cristo, nossa Páscoa, foi imolado: festejamo-lo com o pão ázimo (feito sem fermento pelos israelitas, por ocasião da fuga do Egito. Não dava para esperar a massa crescer). Apenas com da sinceridade e da verdade” ( I Cor 5, 7-8, aludindo também a Ex 12), quando menciona: 7 - "Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi imolado. 8 - "Por isso, celebremos a festa não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia e sim com os asmos (importância do auto exame - pães sem fermento, um costume israelita) da sinceridade e da verdade, pois se trata de uma experiência nova.

A Ceia Pascal é uma preparação, em forma dramatizada, para o Tríduo Sagrada que centraliza nossa atenção na essência do mistério pascal: o Cordeiro imolado que nos libertou do cativeiro com seu sangue. E assim, isto nos faz viver cada momento em que vivemos esse momento de culto de maneira mais completa, pois a Última Ceia não foi apenas o ápice, o termo de chegada de um velho rito, mas o começo, o ponto de partida. Santo Atanásio, bispo de Alexandria afirmou: “quando junto comemos a carne do Senhor e bebemos o seu sangue, é a Páscoa do Senhor que celebramos”. A cerimônia da Ceia Pascal possibilita-nos encenar os acontecimentos da Última Ceia como uma meditação, preparando-nos para a plena realização da Última Ceia.

Edilson Elias é jornalista, professor, escritor, historiador do Paraná e diretor-presidente do jornal FATOS DO PARANÁ® - Londrina

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