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 "Sabemos tão pouco do que estamos a fazer neste mundo, que eu me pergunto a mim próprio se a própria dúvida não está em dúvida."  Byron

Talvez não haja dor tão pungente que a do menino que vê o pai ou o avô, seus heróis, enjaulados.

Ele tem certeza absoluta de sua inocência. Não vem ao caso se ele não é inocente. O querer do menino de idade tenra não pode ser outro. Há algo de profundamente errado neste planeta onde ele acabou de aportar.

Jamais me esqueci de um momento, como advogado, em que vi o pai, ainda jovem, despedir-se da esposa e um pequeno casal de filhos para ingressar no presídio. Crime contra o patrimônio, uma nonada e um juiz implacável. O patrimônio que separa as famílias no enorme fosso social em que vivemos. Jamais olvidarei a viagem longa e indecisa daqueles olhares.

Respeitáveis correntes da criminologia sustentam com vigor a ultrapassada e imprópria pena de prisão. Isso porque a finalidade da pena não é a vingança, mas a reinserção harmônica de quem desatinou - quantas são as hipóteses de desvarios - ao convívio da sociedade.

No Brasil, isso fica em livros, aceitos na academia e ridicularizados pelo povo, que sofre a violência e, muito justamente, sob o aspecto do sentimento humano,  quer ver o agressor agarrado a grades, longe de suas vistas.

Como disse o poeta, não compreendemos o mundo.

Cansam-se aqueles penalistas de pregar as penas alternativas; é dizer, não se trata de impunidade, mas de pôr a criatividade de juristas, sociólogos, psicólogos e de todos os segmentos científicos que se debruçam sobre a questão.

É muito mais fácil depositar seres humanos em sórdidos cubículos, do qual sairão com seus instintos animais recrudescidos, olhos vermelhos como dos ratos, pronto para atacar uma sociedade que não soube se valer de dois princípios implícitos na Constituição do País, porém em hipóteses sofisticadas: razoabilidade ou racionalidade e proporcionalidade.

Nos últimos tempos a cadeia recepcionou colarinhos brancos. Faltam muitos. No "caixa dois" dará para nadar de braçadas, como Patinhas.

Não conhecemos os autos dos processos criminais, mas também não temos razão para descrer da convicção firmada em primeira instância e no Tribunal. Um ex-presidente da República toma de seu próprio veneno, porquanto em seus governos nada de monta fez para solucionar a dramaticidade carcerária de nosso País. E não se tratava de inventar a roda. A história registra que, no começo do século passado, o Carandiru era um excelente centro de recuperação. Muitos dos egressos se tornaram cidadãos dignos e puderam viver neste mundo das dúvidas do poeta.

Preferimos ter dúvidas e não crer na veracidade das notícias de que adeptos do atual governo - incluídos filhos do presidente - regozijaram-se com a sofrência de Lula - ou, por outra -, com a morte por meningite de um ser que aqui recentemente aterrisou, num pedaço deste mundo incompreendido liderado por seu avô, cujos males que possa ter acarretado ao povo,  pela corrupção de sua governança e de seu partido - que pousava de angelical -  não o impediam de chorar sua partida intempestiva. Como compreender um mundo, poeta, em que há regozijo ante a morte de um garoto? Como comprender um mundo governado por autoproclamada esquerda socialista, solidária, da justiça social, que se deixou levar por corrupção, causa de outras tantas mortes,  com o assalto à saúde pública? A dúvida assalta-me a dúvida, ante o antídoto escolhido pelos atuais donos do poder ao ódio de seus contendores: seu igual, ou sem nenhuma fronteira, disparo de ódio aos humanos, inclusive aos que não tiverem sequer tempo para refletir sobre esses grupos trânsfugas - o liderado por seu avô e seus adversários radicais, agora empoderados.

Amadeu Garrido de Paula, é Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados - bruna@deleon.com.br

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