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O novo contrato de concessão da Malha Ferroviária Paulista, de 1989 quilômetros – que liga Santa Fé do Sul ao porto de Santos e engloba os ramais da antiga Cia Paulista de Estradas de Ferro -, assinado na quarta-feira (27), enseja um grande salto de qualidade nos transportes. Além do escoamento de safras agrícolas de Mato Grosso para o porto e aos centros consumidores, e movimentação de combustíveis e manufaturados no sentido oposto, o empreendimento solucionará conflitos da linha férrea em dezenas de municípios onde se encontra instalada. A Rumo Logística vai investir, ao longo dos 30 anos de vigência do acordo, R$ 6,1 bilhões em obras, trilhos, locomotivas e vagões e isso aumentará a capacidade de cargas do trecho dos atuais 35 milhões para 75 milhões de toneladas/ano. Ainda criará 10 mil novos empregos. Suas operações se darão entre Rondonópolis (MT) e Santos (SP) e deverão em 2021 integrar com a Malha Norte, trocando cargas com Goiás e Tocantins e, ainda, estender-se, na Malha Oeste, até Lucas do Rio Verde (MT), distante quase 600 quilômetros de Rondonópolis.

As ferrovias, fundamentais para a economia nacional, chegaram à exaustão por falta de investimento em manutenção e modernização. Nos anos 90, foram entregues à iniciativa privada mas, mesmo assim, continuaram em crise. Grandes trechos inoperantes e todo o patrimônio imobiliário e rodante em frequente sucateamento são testemunhas disso.

Atrair investimentos privados e reativar o modal de transporte ferroviário é a opção política do atual governo. Se conseguir, diminuirão gradativamente as longas viagens de caminhão e estes veículos passarão a servir mais no transporte de ponta, entre o terminal de desembarque e o consumidor, conforme ocorre nas áreas desenvolvidas do planeta. Por consequência, diminuirá a saturação das rodovias e os acidentes dela decorrentes. E os motoristas, que hoje passam a maior parte dos dias viajando, terão condições de conviver com suas famílias.

Toda vez que se fala em recuperação da ferrovia, surge a pergunta sobre a volta do trem de passageiros, já que as operadoras têm como foco o transporte de cargas. Essa, no entanto, é uma questão mais complexa. Para ser competitivo com o ônibus, o concorrente que tomou seu lugar, o trem tem de pelo menos percorrer o trajeto no mesmo tempo que o veículo rodoviário. Existem projetos de trens-bala e outros de média e alta velocidade. Mas, a rigor, devem ser novos projetos pois as linhas implantados no século passado dificilmente os comportarão. Para fazer funcionar o trem moderno é preciso demanda e altos investimentos. Logo, aquele trem vagaroso e até romântico que conhecemos no tempo de criança se manterá vivo apenas na nossa memória e em projetos de preservação histórica. Mesmo que o transporte de passageiros volte a ocorrer, será em condições muito diversas do realizado décadas atrás. Imperativo do desenvolvimento...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br  

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