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São Paulo passou o final de semana impactado pela revelação do assassinato do soldado Leandro Martins Patrocínio, da Polícia Rodoviária, que – segundo o apurado – de folga e em trajes civis, no último dia 29, foi a um baile funk na comunidade de Heliópolis, onde teve reconhecida sua condição de policial e, ao sair, foi sequestrado e torturado num sobrado da área   e desapareceu. Passou a ser procurado no dia seguinte, quando não compareceu ao trabalho. A localização do corpo, no sábado, em um terreno próximo, deu-se a partir de denúncias e o uso de cães farejadores. Suspeitos do crime já estão presos e as investigações continuam. Leandro é apenas mais um a morrer pela simples condição de ser policial. A animosidade criada em relação aos integrantes das forças do Estado é a grande responsável. Além de ter seus trabalhos contestados permanentemente e ser perseguidos – até institucionalmente – através de denúncias, ruidosos processos e penalizações, os policiais brasileiros são literalmente caçados pelos esquemas criminosos, cada dia mais impunes e protegidos por quem os deveria combater.

A grande maioria dos policiais é composta de homens e mulheres vocacionados que poderiam estar fazendo outra coisa, mas aceitaram os riscos da tarefa de dar segurança à comunidade. No entanto, nas ultimas décadas, dentro do proselitismo da chamada redemocratização, a outrora respeitada figura do policial passou a ser contestada e, na medida em que cresceram os esquemas do crime organizado, tornou-se perseguida e literalmente eliminada, como é o caso atual de Leandro. Paradoxalmente, o encarregado de proporcionar  segurança às pessoas não tem garantia da própria integridade. É um quadro de muitas variáveis que começam pelos baixos salários – que os obriga a morar em áreas perigosas, usar transporte público por não dispor de veículo e outros recursos que os protejam.

Infelizmente, ocorrências dessa natureza têm sido corriqueiras. O profissional da área que no passado só morria em possíveis confrontos – onde também perecem criminosos – ou de causas naturais, hoje é fria e calculadamente assassinado. Apesar da frequência, não podemos admitir isso como regra e precisamos do apoio da sociedade – a quem servimos – para colocar um fim a essa inversão de valores. Quem se empenha em dar segurança não pode ter periclitada a sua própria condição de ir e vir, pois, com isso, todo o conjunto da sociedade padece. Os esquemas criminosos tornam-se cada dia mais violentos e o cidadão comum sofre as consequências.

Os governos federal e estadual, o primeiro na condição de normatizador das políticas de segurança pública, e o segundo como empregador das polícias, têm de se debruçar sobre a problemática e buscar formas de retirar os policiais do jugo dos esquemas criminosos. O mesmo rigor que se tem usado nos últimos 20 ou 30 anos para punir policiais que supostamente cometem excesso, tem de ser empregado aos criminosos, estes cada dia mais impunes e agressivos. Executor de uma tarefa perigosa e de interesse público, o policial tem de dispor de meios para morar e se locomover em segurança, proteger sua família e ter acesso aos recursos da vida em comunidade sem a necessidade de arriscar-se pessoalmente em áreas perigosas, como os eventos periféricos promovidos ou frequentados pelos transgressores da lei.

Não basta a indignação ao lado do caixão e da sepultura de Leandro (o mesmo quadro  que temos presenciado durante anos em relação a outras vítimas). É preciso atitude. Os governos e a comunidade, principais destinatários dos serviços policiais, precisam se mobilizar e buscar soluções. Os parlamentares – independente de sua ideologia - têm o dever propor e votar leis que eliminem a verdadeira caçada de policiais pelos criminosos. Se continuar, a tendência é subjugar a sociedade...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br 

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