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Se alguém disser que a fé remove montanhas, não está simplesmente dando asas a um ditado popular, mas enfatizando um texto bíblico. O que não se justifica é interpretar isso ao pé da letra. Ainda que existem pessoas capazes de interpretá-la assim, todavia, nenhuma montanha será removida pela força da fé. Fato extraordinário dessa importância nunca ocorreu, nem mesmo no tempo de Jesus. Transportar uma montanha pela força da fé seria um desafio as leis da natureza estabelecidas pelo próprio Deus.

A fé, a força de vontade e o pensamento positivo em determinadas situações, não tem valor algum se não estiver conectado com as modernas técnicas do planejamento. Imaginamos alguém que nunca aprendeu nadar precisando atravessar um, cujas águas turbulentas oferecem perigo. E sob essa circunstância, ele imagina positivamente e, após algumas reflexões de fé, atira-se às águas.

O caso é semelhante ao daquele empreendedor autoconfiante, de pensamentos positivos e cheio de fé que se lançou em um grande negócio com escassez de recursos financeiros, sem planejamento e sem auxílio da ciência moderna. Nessa somatória de inconsistência, ele se envolve num erro fatal semelhante aquele que se atirou nas águas violentas do rio sem os conhecimentos das técnicas de natação.

Qualquer empreendimento direcionado pela fé, sem os treinamentos necessários, sem projetar as metas de produção e do consumo não vai prosperar. Não tendo em mãos os números de um levantamento estatístico, não possuindo tecnologia, não elaborando projeto o empreendimento pode fracassar. Ninguém pode interpretar um texto, sem primeiro reportar-se ao sentido figurado das palavras utilizada pelo autor, sob pena de cair no erro daquele indivíduo que confiou na fé, quando deveria abraçar, pelo menos, um pedaço de madeiro para lhe servir de boia naquela tentativa de atravessar o rio turbulento.

Quando Jesus falou da fé que remove montanhas, Ele fazia, na verdade, uma analogia. Falava da remoção dos problemas diários que, para serem removidos, precisa de fé aliada à força do trabalho com determinação e habilidade. Pois, não há nenhuma necessidade do exibicionismo de remover montanhas pela força da fé. Na verdade, há um distanciamento entre a palavra e seu sentido figurado; entre a habilidade e a inexperiência; entre a fé e a capacidade de solucionar o problema. Não se pode exigir de um simples serviçal a finalização de um trabalho com alto nível de complexidade só porque ele tem muita fé.

Se alguém tem muita fé, todavia, edifica sua casa na areia, como esta casa resistirá aos ventos? Qualquer empreendimento em que não se estabeleceu uma coordenação dinâmica e não se aplicou com inteligência as técnicas modernas de planejamento, com certeza, a fé ficou prejudicada. Desde há muito tempo, o melhor e o mais bem-sucedido empreendedor não foi o filósofo pensador, nem o crente de muita fé e nem mesmo alguém com otimismo exagerado. O empreendedor inteligente é aquele que investiu na tecnologia, na pesquisa e na racionalização do trabalho e da produção. Agora sim, a fé vai permear o empreendimento e a prosperidade, com certeza, se multiplicará. Não havendo imperiosa necessidade, não haverá milagre, e o fato de transportar montanhas seria tão somente um desafio as leis naturais que Deus já determinou.

Nelson Araújo de Oliveira é Professor aposentado - Autor o livro redimensionando conceitos - Jardim Sabará - Londrina.

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