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O momento nacional exige muito equilíbrio, desprendimento e juízo. O país vem da derrocada da esquerda como governante e vive o começo de um novo tempo que vai do liberal à direita. A sucessão de escândalos que apodreceu a imagem da classe política resulta em expressivas figuras cumprindo penas, prisões preventivas e centenas de processos pendentes. Há o risco da radicalização, que não interessa a ninguém, especialmente ao povo que, majoritariamente, despreza tanto a esquerda quanto a direita. Pior é que, via redes sociais, a sociedade é diariamente insuflada a se insurgir contra a autoridade constituída e as forças institucionais do Estado. Já passou da hora das lideranças, independente de suas posições e ideologias, buscarem alguma forma de convivência, sem o que a crise tende a se perpetuar.

Quem se elegeu deve focar exclusivamente no seu compromisso e os que perderam as eleições, para o bem geral, têm de reconhecer a situação e se preparar para os próximos embates nas urnas. Um componente perverso do quadro geral é a desbragada corrupção que alimentou o processo eleitoral desde a redemocratização. São atos inteiramente desvendados que hoje causam a punição dos seus praticantes. Uma tarefa exclusiva da Justiça, à sombra do ordenamento jurídico em vigor. A disposição do presidente Jair Bolsonaro, de acabar com a barganha de cargos por votos legislativos é meritória; precisa ser incentivada pela população e compreendida pelos parlamentares que, com isso, têm a oportunidade de exercer o mandato sem a promiscuidade que levou a instituição pública brasileira ao caos. É preciso que todos os representantes do povo, tanto os do Executivo quanto do Legislativo, atuem com transparência, lisura e dignidade, à sombra dos compromissos assumidos com o eleitor na hora em que pediram o voto.

No final do regime militar, a grande questão era o destino dos opositores que enveredaram para a subversão e o terrorismo e dos agentes do Estado que se excederam na repressão. O caminho encontrado foi a anistia, que perdoou tanto uns quanto outros. Até hoje os anistiados, independente do lado em que estiveram, usufruem do benefício do perdão e criticam sua extensão ao adversário. Mas foi possível obter um certo grau de pacificação e a dita redemocratização. Hoje, salvo melhor avaliação, temos situação análoga. Ao lado dos que reconhecidamente assaltaram os cofres públicos para enriquecimento ilícito, estão os políticos que recorreram aos esquemas de corrupção para custeio de campanhas e justificam que aquele era o único meio de sobreviver na atividade. Não falemos em nova anistia, mas talvez esteja na hora de priorizar a garantia de que os esquemas fraudulentos não se repitam e deixar o passivo para a apuração da Justiça, reconhecido o direito dos envolvidos à ampla defesa. Será um desperdício perder com o passado os preciosos tempo e esforços que podem (e devem) ser aplicados na construção do futuro. Pacificar é preciso...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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