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Atravessamos um período desafiador: a pandemia da COVID-19. Com isso, estando em casa, somos convidados a olhar tanto para a nossa vida quanto para a vida daqueles que cuidamos e  amamos. Certa vez, ouvi o saudoso Padre Léo de Bethânia dizer: “as pessoas que mais amamos são as que mais nos machucam”, é importante estarmos atentos aos dessabores que enfrentaremos dentro de casa. Estar em casa, em quarentena, é importante para a saúde, contudo, é preciso cuidar do emocional, a fim de que a quarentena seja um espaço-tempo de união amorosa e não de brigas.

O tema da Campanha da Fraternidade 2020 – “Fraternidade e vida: dom e compromisso” – nos motiva a esse olhar. No entanto, esse tempo de reclusão sem comunicação, ficando isolado em quarentena tem sido uma oportunidade de nos aproximarmos uns dos outros, seja familiares, amigos ou outras pessoas graças aos meios tecnológicos de comunicação.

Com toda a certeza, essa proximidade nos ajudará a celebrar a mais importante festa cristã – a Páscoa – que está se aproximando.

Se estivéssemos em nossas atividades, com o comércio aberto, as empresas produzindo em sua potência máxima, as escolas repletas de alunos, certamente a celebração seria diferente, ou melhor, seria igual a todos os anos. Hoje, pelo fato de estarmos em quarentena, temos a oportunidade de celebrarmos a melhor Páscoa de nossas vidas, de vivermos verdadeiramente o sentido dessa celebração.

Neste ano de 2020 não poderemos nos reunir para celebrar a Páscoa em grandes confraternizações familiares, nem as Igrejas Cristãs poderão fazer suas belas e solenes celebrações. Porém, em nossas casas, com nosso núcleo familiar, podemos e devemos nos preparar e comemorar a tão importante festividade em seu sentido verdadeiro e mais profundo. Para o cristão, a preparação para a Páscoa é marcada pela vivência da Quaresma: quarenta dias de reflexão e recolhimento para que cada pessoa, em seu interior, faça uma revisão de vida.

A própria palavra “Páscoa” vem de uma palavra hebraica – “pessach” – que significa “passagem”. Originalmente, a data foi a libertação do povo judeu que estava escravo no Egito. Libertos, os judeus “passaram” pelo Mar Vermelho a pé enxuto e se colocaram a caminho para a Terra Prometida. Para os cristãos, a Páscoa também é uma “passagem”, mas da morte para a vida, tal como aconteceu com Jesus, que ressuscitou e presenteou a humanidade com uma “vida nova”.

Diante de tal cenário, que tal fazermos a experiência de passagem para uma vida renovada pela Páscoa de Jesus? Expressar essa nova vida reunindo a família, cada um em sua casa, olhando nos olhos, percebendo a beleza da vida, expressando nossos sentimentos de alegria, gratidão e manifestando nossa esperança por um mundo novo, mais fraterno e solidário para todos?

Uma simples refeição em conjunto, conversando sobre a vida, com os celulares e outros meios de distração desligados, partilhando do pão do diálogo, do perdão, da alegria e da esperança. Aliás, qual destes pães você e os seus mais necessitam hoje?

Na sexta-feira santa, recordaremos Jesus que morre na cruz e que isso não se trata de um dia triste, mas de oração, de silêncio e de reconhecimento do grande amor de Deus por cada um de nós, a ponto de dar a sua vida pela nossa salvação. Podemos meditar sobre o sofrimento de tantos irmãos e irmãs ao redor do mundo, rezarmos por eles e comprometermo-nos a fazer um gesto concreto: seja uma palavra de apoio, uma ajuda material ou algum outro desejo que percebamos no coração. Recordamos, por fim, a Ressurreição de Jesus (Sábado Santo e Domingo de Páscoa). Segundo a tradição, na madrugada de sábado para domingo algumas mulheres foram ao túmulo de Jesus para levar flores, porém, Ele não estava lá! Ele Ressuscitou! Ele está vivo! Ele é a Luz do mundo! Podemos nos alegrar porque a vida vence a morte e a Ressurreição de Jesus nos garante a felicidade e a paz, mesmo diante das dificuldades!

Viver o sentido da Páscoa está para além dos presentes, dos chocolates - que por sinal é muito gostoso e propício - celebrar a Páscoa é alimentar em nós a esperança por dias melhores, dias de mais fraternidade, solidariedade, perdão, amizade, amor: amor de Deus e amor entre nós! Celebrar a Páscoa é ser presença significativa na vida das pessoas, então que, mesmo com o isolamento sejamos presença, e como dizia Pe. Léo: a presença física é a mais pobre das presenças.

Maikel Fernandes Ronqui, coordenador de Pastoral do Colégio Marista Paranaense, e Eliane Andrade, analista de Pastoral do Colégio Marista Paranaense

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