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O ano de 2017 está terminando tão ou mais turbulento do que começou. Depois das duas tentativas de afastamento do presidente Michel Temer, a prisão de ex-ministros e ex-parlamentares, ocorre agora a detenção do deputado (ex-governador, ex-prefeito e ex-candidato à presidência da República) Paulo Maluf, ao final do rumoroso e alongado processo de corrupção decorrente da construção da Avenida Água Espraiada (hoje Jornalista Roberto Marinho), nos anos 90, em São Paulo. De outro lado, a construtora Odebrecht, que agora tem seu ex-presidente retirado da cela e colocado em prisão domiciliar, acusa a formação de cartel de empreiteiras que teria encarecido as obras do Rodoanel de São Paulo, realizadas a partir de 2004, sob os governos dos tucanos Geraldo Alckmin, José Serra e Alberto Goldman e do liberal Claudio Lembo.

Diante da revelação, o governador Geraldo Alckmin, adianta que acionará a Procuradoria Geraldo do Estado para abrir processo onde pedirá a apuração do ocorrido e o ressarcimento de danos causado pelas empreiteiras ao Estado. Anuncia que também mobilizará as corregedorias para a apuração de servidores ou agentes políticos ou públicos que possam ter participado ou facilitado a ação do cartel. Usa a mesma estratégia de 2013, quando processou a Siemens ao ter a empresa alemã informado a existência de “acertos” nas concorrências do Metrô e da CPTM. A tese é de proteção ao Estado e recomposição do seu patrimônio esbulhado pelas irregularidades.

Hoje, no entanto, Alckmin tem muito mais a perder do que quatro anos atrás, pois é pré-candidato à presidência d República e seus adversários estão prontos a usar o cartel como arma para desestabilizá-lo. Além de mandar apurar, terá ele de fazer algo mais para demonstrar transparência e mãos limpas do seu governo no episódio.

Desde que surgiram as primeiras informações sobre o mensalão – tanto na versão nacional quanto na mineira – a classe política brasileira tem sido colocada na linha de tiro. Parlamentares perderam o respeito do eleitor quando o povo ficou sabendo que, além dos seus compensadores proventos, recebem dinheiro sujo para exercer as obrigações do mandato. Os governos também perderam a reputação quando fomos informados que sacava dinheiro público para comprar os políticos e – pior ainda – criava leis e desonerações de setores da economia em troca de propinas. Por conta disso caiu um governo, o atual balançou por duas vezes e a ferida ainda continua aberta.

Vivemos hoje um perigoso momento em que praticamente todos os políticos são processados, denunciados ou pelo menos suspeitos. Os que forem candidatos aos diversos cargos eletivosem 2018 precisam encontrar o meio de provar, ou pelo menos dizer, ao eleitorado que são diferentes daqueles que trouxeram o país à bancarrota...  

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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