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A cada ano, no dia 15 de novembro, por meio do nosso calendário civil, comemoramos a data referente à Proclamação da República no Brasil. Data onde encerrou-se o tempo dos reis e nobres, assim, inaugurou-se o tempo dos políticos e de suas articulações. A monarquia era a época responsabilizada por todas as crises que o país atravessava, e a república era vinculada ao progresso, à prosperidade, ao futuro que todos almejavam. O que seria, afinal, essa tal República?

Para entendermos a República, partirmos do significado etimológico. República vem do latim: respublica, “coisa pública”, “que pertence ao povo”. E, sendo assim, no regime republicano, o aspecto central é o interesse da comunidade, comum de todos, em detrimento aos interesses individuais e aos negócios particulares. Desse modo, não se afina à monarquia (interesse de um), não se alinha à aristocracia (interesse de alguns) nem tampouco à democracia (interesse do povo). A república, por sua vez, volta-se para a finalidade do governo, que é o bem comum.

No Brasil, a República foi implantada sem a participação, engajamento ou mesmo ciência do povo. Evidenciando-se como uma ação conjugada entre setores do exército e de uma elite em formação, vinculada aos setores cafeicultores do Oeste Paulista. Esse aspecto presente no alicerce republicano nacional nos faz compreender por que, tantas vezes na história de nossa nação, sobretudo após a proclamação, o povo e suas necessidades passaram ao largo de alguns governos.

A Proclamação da República e a participação de todos

A ressignificância da importância e participação de cada um, e portanto de todos, é fundamental para a plena realização do espírito republicano. De que forma, no entanto, constrói-se uma república efetivamente destinada ao governo do bem comum e, nesse sentido, na perspectiva mais plena do conceito povo? Gostaria de indicar algumas proclamações necessárias e urgentes aos nossos dias, onde proclamar é “fazer uma declaração pública e solene”.

Precisamos proclamar o Brasil como um país em processo de desintoxicação das práticas corruptas e corruptoras. Como dizia a canção: “A começar em mim…”. Não adianta estendermos o dedo em riste para Brasília e continuarmos com as corrupções nossas de cada dia. O projeto anticorrupção começa na educação dada em casa, aos filhos, fundamentando-se não no discurso, mas sim na prática.

Proclamar um tempo de paz e esperança

Precisamos proclamar um tempo de paz. Evidentemente, a violência crescente em nosso país tem muitas origens e de complexa intervenção. No entanto, ficar terceirizando responsabilidades e se manter no imobilismo não muda nada. Podemos gerar, incentivar e promover uma cultura de paz. Independentemente do que o mundo tem nos oferecido, cultura de paz é decidir o que eu vou oferecer ao mundo. Não podemos mudar o mundo todo de uma vez, pois não temos governabilidade. Porém, onde quer que estejamos, com nossas escolhas ações e reações, poderemos ser oásis de paz.

Precisamos proclamar um tempo de esperança. Sabemos  que a interposição de ideias é um ponto forte da democracia, mas a animosidade entre as pessoas é sua deformação. Precisamos ter uma esperança proativa. E o que podemos fazer para contribuir para o bem comum? De que forma atuaremos para que o governo, o país, a nação tenham prosperidades? A primeira coisa é exatamente essa: tenhamos esperança.

A crueza do mudo real tem, por vezes, subtraído de muitos a capacidade de sonhar, de esperar e de deixar-se surpreender pelo devir. Proclamemos uma frase já dita anteriormente pelo pastor Martin Luther King em seu histórico discurso em Washington em 1963: “Eu tenho um sonho”. A luta deve ser de todos. Luta pela construção de uma realidade mais humanizada, menos excludente e mais inclusiva.

É essa proclamação que precisamos celebrar de forma continuada em nossa nação. Feita pelos que assumem funções de governo, como também, e principalmente, por todos que constroem, de forma silenciosa, a realidade que vivenciamos como nação. Uma condição não exclui a outra.

Acompanhemos, cobremos, fiscalizemos os representantes ora eleitos, que tomarão posse no ano vindouro. Não esqueçamos que estamos compartilhando do mesmo destino. Que nossa república se destine ao bem comum, ao bem de todos, como deve ser.

Christian Moreira é missionário da Comunidade Canção Nova, no modo segundo elo em em Fortaleza (CE). Graduado em História, Mestre em Ciências da Educação e Especialista em Ensino Superior de História e Especialista em Gestão Escolar.

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