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Vimos, durante o fim de semana, nas redes sociais, centenas, talvez milhares de postagens que enxergaram a eclosão da intervenção militar a partir do novo pronunciamento do general Antonio Hamilton Mourão que, desta vez, foi punido com a perda do cargo que exerceria até a sua passagem para a reserva, prevista para março próximo. Além dos militantes pró-golpe, reunidos timidamente em diversos pontos do país, circularam pela net informações incendiárias, que diziam já ter ocorrido a intervenção e davam conta da ida de tropas para as ruas, bloqueio de estradas por caminhoneiros e falta de combustíveis motivada pela impossibilidade da mercadoria chegar aos centros distribuidores. Cada arauto da instabilidade dava suas cores ao movimento e acusavam a mídia regularmente estabelecida de estar escondendo a realidade.

Manifestações dessa ordem não servem para nada. Pelo contrário, podem até atrapalhar aqueles que, tendo condições, possam estar articulando a tomada do poder. As pessoas têm de entender que hoje vivemos um momento diferente daqueles em que o Brasil teve as suas viradas de mesa políticas e mesmo daquelas crises sufocadas pelo governo de então. Naqueles tempos, as comunicações eram precárias e a notícia demorava horas ou até dias para sair de um lugar e chegar a outro e disso se valiam os revoltosos para agir. Hoje, com a internet., o telefone eficiente, a TV, jornais, rádio  e meios de transporte rápido, é mais difícil a formação isolada de um bolsão de sublevados pois quem é do ramo sabe que, para uma intervenção, é necessário preparação e tempo e, mais que isso, a adesão de significativos contingentes das forças armadas. As condições tecnológicas não permitem mais o blefe, pois é muito fácil o acompanhamento em tempo real e a checagem da situação em todo o território nacional ou pelo menos nos seus pontos mais sensíveis.

Aqueles que cultivam a intervenção militar devem, antes de agir, estudar a história e verificar se no Brasil de hoje, mesmo com todas as mazelas e dificuldades, existem condições objetivas ou pelo menos parecidas com aquelas que no passado nos conduziram à quebra institucional. A criação de boatos alarmistas não tem utilidade alguma. O povo, por mais inflamado que esteja, jamais fará sozinho uma revolução. A intervenção – se um dia ocorrer – virá dos profissionais das forças armadas que, pelo menos até agora, garantem permanecer recolhidos aos quartéis e guardiães da Constituição e suas instituições. Jamais veremos uma revolução produzida e sustentada por civis via internet...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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