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Depois de 90 minutos de sofrimento, aos 46 do segundo tempo, o Brasil respirou aliviado, com a vitória da Seleção frente ao retrancado time da Costa Rica. O gol da vitória no primeiro minuto dos acréscimos deu à torcida a esperança de uma boa campanha na Rússia. Vamos esperar a próxima partida com o ânimo revigorado. Oxalá o mesmo ocorra com o país em termos políticos. Que todo o sofrimento e o desencanto desses últimos anos possam ser purgados no final da jornada, isto é, nas próximas eleições e, especialmente, através daqueles que delas saírão eleitos para a presidência da República, os governos estaduais, o Senado, a Câmara dos Deputados e as Assembleias Legislativas Estaduais.

Que todo o desencanto do eleitor se transforme em força para que, na hora de votar, ele se ilumine e encontre entre os concorrentes aqueles que melhor possam trabalhar para conduzir o país para fora do atoleiro político-institucional em que nos encontramos. Como disse a ministra Carmem Lúcia, ao participar do 2º Congresso de Direito Eleitoral, em Brasília, “demonizar a política não faz com que não tenhamos o caos”. Em vez de virar as costas ao processo, votar em branco ou anular o voto, o bom será darmos o voto a algum candidato que possa representar nossos interesses ou, em última analise, seja o “menos pior”. Se o leitor omitir-se, por certo, ficará mais fácil a vitória daqueles com quem ele não concorda.

Apesar de todo o mau humor e das decepções com a classe política, é importante considerar que, pela simples revelação das falcatruas e da abertura de processos e até prisões dos falcatrueiros, o país evolui. Ao mesmo tempo em que a Justiça faz o seu trabalho na apuração e apenamento dos crimes cometidos, os eleitores, com as informações disponíveis, terão melhores condições de votar na mudança de nomes e de procedimentos. Espera-se que o presidente Michel Temer, que já paga alto preço de impopularidade por adotar medidas duras de controle, não abra mão do caminho administrativo traçado, especialmente na área econômica, e entregue ao seu sucessor um país governável. Se o fizer, o futuro e a história  certamente reconhecerão o seu trabalho restaurador.

Durante essas três décadas de vida redemocratizada, muitas omissões foram cometidas por aqueles que, para não se parecerem com os militares de 64, abriram mãos de princípios básicos de administração, política e até de moralidade. E o resultado é a balbúrdia em que nos encontramos. Chegou a hora de recolocar as coisas em seus devidos lugares. Principalmente observar que democracia não é anarquia e, para funcionar, necessita de leis e regulamentos sustentáveis e que estes sejam rigorosamente cumpridos. Que, depois de todos os dissabores desses tempos difíceis, possamos, a exemplo do que fez a Seleção Brasileira frente à da Cota Rica, reencontrar o caminho, mesmo que seja “aos 46 do segundo tempo”. O importante é evoluir, vencer e bem viver.

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br

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