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A queda apurada do número de mortes pela Covid 19 em 82% dos distritos do município de São Paulo, entre os finais de agosto e setembro, e a redução de mortes e infestação em praticamente todo o país, são motivos de comemoração. Os mesmos especialistas que insistiram nas medidas restritivas admitem essa redução que significa estarmos vencendo a pandemia. Evidente que o quadro ainda exige cuidados, mas deve influir em coisas como a volta às aulas e o funcionamento dos negócios mais próximos ao que vigorava antes da chegada do vírus. O começo da vacinação, previsto para 15 de dezembro, também é um bom horizonte e permite, pelo menos, podermos planejar o que fazer (ou não fazer) a partir de janeiro. Mas não se pode afrouxar o acompanhamento para não corrermos o risco de uma recaída e a volta da infestação em larga escala.

A pandemia vai embora deixando um rastro de mudanças por ela determinadas. Pequenos negócios quebraram e levaram ao desemprego milhares de seus empreendedores e  colaboradores, empresas adotaram o sistema de home-office para parte de suas equipes e, com isso, milhares de salas de escritório estão desocupadas, devendo assim permanecer até a economia em plena carga requerer esse espaço. O Governo, que criou o auxílio emergencial, luta sgora para criar um programa social permanente porque descobriu que, além dos beneficiários do Bolsa Família, existem outros 38 milhões de brasileiros paupérrimos que não tinham força nem para tirar documentos, abrir conta em banco e se inscrever em programas sociais. O propósito é assisti-los.

 Mas, além das questões econômicas e sociais, preocupa-nos o como ficará a estrutura de saúde depois de completamente vencida a pandemia. Em fevereiro, quando o mal chegou, o Brasil possuía 46 mil leitos de UTI (Unidades de Terapia Intensiva); na virada de julho para agosto já eram 66 mil. Um incremento de 45%, cujos equipamentos foram adquiridos e agora precisam ser aproveitados. Recorde-se que durante os últimos anos formou-se a indecente fila de pacientes nas portas de hospitais e corredores dos serviços de emergência à espera de vagas para internação. Quando não houver mais a clientela da Covid 19, as UTIs adquiridas precisam ser redistribuídas de forma a atenderem adequadamente a população.

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira fixa em 1 a 3 o número de leitos de UTI para cada 10 mil habitantes. Temos, no Brasil, a média de 2,2 leitos por 10 mil, englobando saúde pública e privada (particular e planos de saúde). O desequilíbrio mora, principalmente, no fato da medicina particular deter 5 leitos por cada 10 mil clientes seus. De todo o universo, fica apenas um para cada 10 mil pacientes do setor público, e isso determina as filas onde muitos morrem sem conseguir atendimento.

Ao desmontar a estrutura hoje cativa ao tratamento da pandemia, as autoridades de Saúde precisam destinar os equipamentos ao preenchimento da lacuna de vagas intensivas nos hospitais públicos, já que os privados se encontram supridos. É o mínimo que a sociedade pode esperar...

Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves - dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) - aspomilpm@terra.com.br 

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